La Paz, 19 fev (EFE).- A nova Constituição da Bolívia fez da wiphala, tradicional bandeira indígena, um dos símbolos oficiais do Estado plurinacional, mas também gerou polêmica nas regiões opositoras ao presidente Evo Morales.

Os departamentos de Santa Cruz (leste) e Tarija (sul) rejeitam colocar a wiphala ao lado da bandeira nacional nos prédios públicos, argumentando que não representa sua cultura, confirmaram hoje à Agência Efe representantes dessas regiões.

Já Oruro (oeste) e Cochabamba (centro) foram as primeiras regiões a içar a bandeira de forma solene em suas sedes oficiais.

No dia 7 de fevereiro, Morales promulgou a nova Carta Magna, que em seu artigo 6.2 detalha que os símbolos do país são sua bandeira tradicional, o hino boliviano, o escudo de armas, a wiphala, a flor de kantuta (típica dos Andes) e a flor do patujú (comum no leste).

O ministro de Culturas boliviano, Pablo Groux, disse que há muitas teorias sobre o significado desta bandeira, mas a mais aceita é de que representa o "multiculturalismo da área andina", e por isso é "um símbolo dos povos indígenas" e, agora, dos bolivianos.

Apesar disso, as autoridades de regiões opositoras a Morales não se sentem representadas na bandeira indígena, e decidiram não içá-la em seus prédios públicos.

"Nós, de Santa Cruz, não reconhecemos a wiphala", disse hoje à Efe o secretário de Autonomias da Prefeitura, Carlos Dabdoub.

Segundo Dabdoub, a única bandeira que representa todos os bolivianos é a oficial da Bolívia.

Outros líderes regionais, como o presidente do Conselho Municipal de Santa Cruz, Enrique Landívar, são mais enfáticos no momento de recusar o uso da bandeira indígena.

"Essa bandeira representa à cultura do oeste da Bolívia, não a nossa. Nós mantemos nossos símbolos", afirmou.

Apesar de este novo símbolo nacional aparecer na Constituição promulgada recentemente, a falta de uma norma específica sobre a matéria faz com que apenas alguns locais do país tenham adotado a wiphala em suas sedes oficiais. EFE vs/mh

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