Bolívia: as causas do conflito em Santa Cruz

O corte nos investimentos regionais, provenientes de um imposto sobre as exportações de gás, para financiar um fundo em favor dos idosos foi a gota dágua para o atual conflito em Santa Cruz, que ainda tem como pano de fundo a luta pela autonomia e a oposição a uma nova Constituição proposta pelo governo boliviano.

AFP |

- AUTONOMIAS REGIONAIS: os departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija aprovaram autonomias em um referendo em julho de 2006 e validaram seus estatutos em consultas similares - não reconhecidas pelo governo - entre maio e junho de 2008.

Impulsionadas por seus governadores e líderes civis contrários a Morales, as regiões querem consolidar governos autônomos, enquanto que o governo central rejeita essas reivindicações, tachando tais movimentos de separatistas.

- ROYALTIES DO PETRÓLEO: as quatro regiões, às quais se soma Chuquisaca, exigem do governo a devolução, para os nove departamentos, dos cerca de 166 milhões de dólares oriundos de um imposto sobre o petróleo (IDH), agora destinados, pelo presidente Evo Morales, para pagar uma bonificação anual de 337 dólares para cada idoso do país.

- PROTESTOS REGIONAIS: nos últimos dias, grupos de direita tomaram, em cinco regiões, edifícios governamentais de Impostos, Telecomunicações e Reforma Agrária, além de cinco aeroportos para vôos domésticos. Também bloquearam o acesso ao aeroporto de Santa Cruz, o mais importante da Bolívia, sem suspender as operações aéreas.

Nas últimas três semanas, estradas têm sido fechadas, principalmente nas províncias do Chaco boliviano, ricas em gás natural, localizadas nas fronteiras com Argentina e Paraguai. Os rebeldes tomaram duas usinas de gás na região e conseguiram interromper o fornecimento para a Argentina.

- GOLPE E GUERRA CIVIL: o governo de Evo Morales denuncia que a oposição organiza um golpe contra a democracia, inclusive, provocando forças do Exército e da Polícia, com o objetivo de desencadear uma guerra civil.

- MOVIMENTOS SOCIAIS: sindicatos camponeses pró-governistas anunciaram o início de protestos, assim como bloqueios de estradas para isolar Santa Cruz, região mais rica da Bolívia e baluarte opositor.

- REFERENDO: no referendo de 10 de agosto (organizado para ratificar, ou não, os mandatos do presidente e de governadores), o presidente Morales recebeu 67,4% dos votos, enquanto que seus adversários, os prefeitos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, também foram aprovados pela população, recebendo entre 54% e 66% dos votos.

- NOVA CONSTITUIÇÃO: é outra fonte de discórdia. Enquanto o governo defende o projeto, a oposição considera seu conteúdo excessivamente estatizante e indígena, além de criticar o estabelecimento da reeleição do governante por mais dois mandatos, cada um de cinco anos.

jac/dm/tt

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