Bolívia aprova Constituição de Morales com 60%, segundo pesquisas

Soledad Álvarez. La Paz, 25 jan (EFE).- A Bolívia aprovou hoje a Constituição impulsionada pelo presidente Evo Morales com um apoio de 60%, segundo as pesquisas de boca-de-urna que refletem, além disso, uma forte rejeição ao novo texto nas regiões governadas pela oposição autonomista.

EFE |

Os bolivianos foram hoje às urnas para se pronunciar, pela primeira vez na história do país, sobre uma nova Carta Magna em um referendo que foi marcado pela tranquilidade e pelas denúncias da oposição sobre possíveis fraudes na consulta.

Após a votação e à espera de resultados oficiais, as pesquisas de três canais de televisão coincidiram em outorgar um apoio de entre 60% e 61% ao texto constitucional de 411 artigos com o qual Morales pretende voltar a fundar o país.

O "não" teria colhido no total do país 40% dos votos, mas - segundo as pesquisas - a rejeição teria sido muito majoritário nas regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, as mesmas que se "rebelaram" no ano passado contra Morales, aprovando de forma unilateral seus próprios estatutos de autonomia.

Alguns canais de televisão deram também os primeiros resultados pelo método de "contagem rápida", que estreitam a margem entre o "sim" e o "não" e reduzem o apoio à Constituição para 57%.

Líderes de Santa Cruz, reduto da oposição autonomista a Morales, interpretaram estes resultados como um "verdadeiro empate", segundo o definiu o secretário de Autonomias da Prefeitura desta região, Carlos Dabdoub.

Em declarações à "Red Uno", Dabdoub assinalou que, se as pesquisas se confirmarem, a execução desta Constituição "seria inviável".

Segundo sua opinião, com 40% contra e territorialmente dois terços do país a favor do "não", é necessária uma agenda de negociação e um pacto social para poder implementar a nova Carta Magna.

Por sua parte, o senador Luis Vázquez, da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos), disse na "Gigavisión" que a única coisa que os resultados refletem é que o país continua confrontado e que o Governo não alcançou uma mensagem de unidade popular.

"A única reflexão possível é que, em um país confrontado e um país dividido, não se pode semear esperança", comentou.

Por enquanto, nenhum membro do Governo se pronunciou sobre as enquetes e espera-se que nas próximas horas o presidente Evo Morales se dirija a seus seguidores que começaram a se concentrar na tarde deste domingo na Praça Murillo de La Paz.

Da mesma forma que em outras pesquisas nas urnas, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) vai demorar vários dias para divulgar o resultado total do referendo, embora seja previsível que esta mesma noite sejam conhecidos dados oficiais preliminares sobre a apuração.

Se as pesquisas de boca de urna se confirmarem, os bolivianos terão uma nova Constituição que defende um país plurinacional, orientado à integração indígena, autônomo e de economia "de Estado".

A oposição critica este texto porque outorga privilégios a grupos étnicos em detrimento dos mestiços e não cobre uma descentralização autônoma verdadeira, entre outros pontos.

A aprovação desta Constituição, a 16ª na história do país, representa a princípio um novo triunfo para o projeto político de Evo Morales, que completou esta semana três anos como presidente da Bolívia.

No entanto, terá que esperar os resultados oficiais para determinar se a nova Carta Magna conseguirá resolver a crise do país ou, ao contrário, este referendo confirma a polarização e confronto político vivido na Bolívia.

Na consulta de hoje, os bolivianos também se pronunciaram sobre o espinhoso assunto da desapropriação estatal de latifúndios improdutivos.

Segundo as pesquisas, os eleitores tenderam por estabelecer 5.000 hectares como superfície mínima para que um latifúndio ocioso passe para as mãos do Estado. EFE sam-az/ma

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