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Por Carlos Alberto Quiroga LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs na quinta-feira a nacionalização da luta antidrogas, depois de expulsar na semana passada agentes dos EUA, em um novo agravamento das tensões bilaterais.

Respondendo às críticas da oposição pela suspensão das atividades da DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA), Morales, ex-líder dos plantadores de coca, afirmou que a Bolívia tem capacidade financeira e policial para continuar o combate ao narcotráfico sem a ajuda norte-americana.

Essa "nacionalização" se soma a um processo de estatização da economia que Morales promove desde sua posse, em 2006, e que já incluiu a nacionalização do gás e a reativação de uma mineradora estatal.

"Afirmar que com o abandono da DEA vão aumentar os cultivos de coca e vai aumentar a cocaína é falso, mesmo porque direta ou indiretamente a DEA era que protegia o narcotráfico", disse Morales num ato em que entregou veículos e equipamentos à polícia.

Ele disse que, sem ingerência dos EUA, a Bolívia poderá combater as drogas sem as irregularidades que ele atribuiu à DEA, a quem o governo de esquerda acusa de abusos aos direitos humanos e desestabilização política.

"Embora seja responsabilidade de todos os países, especialmente dos Estados Unidos e da Europa, participar de uma luta efetiva contra o narcotráfico queremos e temos de nacionalizar a luta contra o narcotráfico", acrescentou Morales.

Na terça-feira, o vice-ministro de Defesa Social Felipe Cáceres, "czar" antidrogas da Bolívia, disse que o país poderia compensar com recursos próprios a ajuda antidrogas concedida pelos EUA, que no ano fiscal encerrado em 30 de setembro foi de 26 milhões de dólares. A verba deve ser cortada porque os EUA incluíram a Bolívia na lista de países que não colaboram no combate às drogas.

(Com reportagem de Eduardo García)

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