Bolívia ameaça estatizar exploração de gás

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que o Ministério de Hidrocarbonetos dará um ultimato, em forma de um decreto, às empresas petroleiras para que realizem investimentos nos campos de exploração de petróleo e de gás, ou estas atividades voltarão às mãos da estatal YPFB (Yacimentos Petrolíferos Fiscais Bolivianos). A informação foi publicada no domingo na Agência Boliviana de Informação (ABI), do governo.

BBC Brasil |

"Se num prazo determinado (as petroleiras) não investirem, vamos recuperar essas áreas para que a Yacimentos realize investimentos, mesmo que seja através de créditos. Não vamos esperar a boa vontade das empresas", disse Morales, num discurso na localidade de Punata, a 58 quilômetros da cidade de Cochabamba.

O presidente afirmou ainda que, depois da nacionalização das petroleiras, no dia 1º de maio de 2006, as empresas se comprometeram a investir para ampliar a produção no país. Por isso, disse o líder boliviano, estas empresas devem investir e "cumprir com os acordos assinados".

O presidente não citou nome de empresas e acusou a Câmara de Hidrocarbonetos da Bolívia, que reúne as petroleiras, de "sabotar os investimentos".

Intervenção
O presidente da YPFB, Santos Ramírez, afirmou que as petroleiras congelaram seus investimentos a partir do fim da década de noventa e que, mais tarde, mesmo com o fim do congelamento, os investimentos foram realizados "de forma insignificante".

Ramírez disse que em 30 dias será feita uma avaliação dos contratos em vigor. Ele destacou ainda que a expectativa é de que neste ano sejam investidos US$ 900 milhões (R$1,47 bi), entre as empresas privadas e a YPFB, no setor de hidrocarbonetos.

"Mas se este investimento não for feito, como elas se comprometeram, o Estado estará no direito de proteger o fornecimento de gás e adotará as medidas correspondentes", afirmou.

"Se constatarmos que os investimentos não foram realizados, vamos ter que castigar ou participar de maneira direta (neste setor). Por isso, a YPFB tem que estar em condições de intervir nos campos (de petróleo e gás)", disse.

Nacionalização
As declarações de Morales e de Ramírez foram feitas 17 dias depois do anúncio da nacionalização de três petroleiras - Chaco, que tem participação da Panamerican Energy, que pertence ao grupo British Petroleum (BP), Transredes, a transportadora de hidrocarbonetos da britânica Ashmore e da anglo-holandesa Shell, e a Companhia Logística de Hidrocarbonetos, de investimentos da Alemanha e do Peru.

Estas últimas medidas ocorreram dois anos após Morales ter surpreendido os investidores, em 1º de maio de 2006, com o anúncio da nacionalização, das petroleiras, entre elas a Petrobras, com as quais renegociou os contratos que estavam em vigor.

Atualmente, a empresa explora os campos de San Alberto e San Antonio, mas segundo informações da assessoria de imprensa, os investimentos "vêm caindo" nos últimos anos.

As reservas de hidrocarbonetos estão nacionalizadas e a comercialização estatizada, a cargo da YPFB, que passou a ser a principal administradora do setor.

Durante o discurso de domingo, Morales voltou a afirmar que está "cumprindo com a palavra". "Necessitamos de sócios e não de patrões, sócios e não donos dos nossos recursos naturais", afirmou o presidente.

De acordo com a Câmara de Hidrocarbonetos, com sede em Santa Cruz de la Sierra, os investimentos nas áreas de gás e petróleo estão em queda e a produção de gás está "no limite" para atender a demanda do Brasil e a interna.

E essa demanda só está sendo atendida porque a quantidade de gás prometida à Argentina não está sendo enviada ao país.

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