Bolívia adia votação de referendo para sábado

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, que é o presidente do Congresso Nacional, adiou para este sábado a votação, no Parlamento, que definirá a convocação do referendo sobre a nova Constituição do país. Primeiro, García Linera postergou a votação para esta sexta-feira e mais tarde para o sábado. Foi um pedido dos quatro partidos políticos, disse.

BBC Brasil |

O debate, antes da votação, poderá durar horas e dias, mas será feito, a partir de sábado, de forma "ininterrupta", seja para aprovar ou não a medida.

De acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI, estatal), os parlamentares terão, assim, mais tempo para chegar a um entendimento antes da votação.

"Estamos à beira de um grande acordo que vai tranqüilizar e unificar os bolivianos e também resolver, com esta nova Carta Magna, as grandes fissuras que arrastaram a Bolívia desde sua fundação, em 1825", afirmou García Linera.


Morales e governistas marcham pela aprovação da nova Constituição / AP

A Constituição é, na opinião de analistas ouvidos pela BBC Brasil, o "pano de fundo" das disputas registradas no país nos últimos tempos, entre seguidores do presidente Evo Morales e seus opositores.

"O principal motivo (das disputas) é a nova Constituição", disse Jimena Costa, professora da Universidade San Andrés, de La Paz.

"Os debates sobre a Constituição parecem ter dividido mais os bolivianos e o texto, como está, não parece agradar a todos", afirmou o constitucionalista Carlos Alarcon.

O debate desta quinta-feira ocorreu enquanto milhares de camponeses e sindicalistas realizam uma caminhada de quase 200 quilômetros para La Paz, onde está o Congresso Nacional.

A marcha foi inaugurada na segunda-feira pelo presidente Evo Morales e é um gesto a favor da nova Carta, cujo conteúdo, afirmou Morales, "inclui pela primeira vez" os indígenas no sistema político e econômico da Bolívia.

Minoria no Senado

O governo Morales tem maioria dos votos na Câmara dos Deputados, mas depende dos votos da oposição no Senado, onde é minoria.

Os senadores opositores pediram mudanças no texto para aprovar a convocação do referendo - somente com o plebiscito, a nova Constituição será ou não ratificada.

"Minha esperança, meu pedido respeitoso é que as forças de confrontação baixem a guarda e não continuem promovendo o enfrentamento ente os bolivianos", afirmou o vice-presidente Álvaro García Linera.

O adiamento da votação, segundo Fidel Surco, da Confederação Sindical de Colonizadores (CSCB), que apóia Morales, "não agradou" os manifestantes na caminhada da qual ele também participa.

"Chegaremos a La Paz na segunda-feira, dia 20, e de lá só sairemos com a lei (de convocação) do referendo nas nossas mãos".

A expectativa do governo Morales é de que o referendo seja realizado no início do ano que vem.

Preferências tarifárias

Também nesta quinta, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, promulgou a lei que estende as preferências tarifárias para Peru, Colômbia, Equador e Bolívia.

A chamada ATPDEA (Acordo de Preferências Tarifárias Andinas e Combate às Drogas), que os Estados Unidos oferecem unilateralmente aos países em troca do combate às drogas, foi estendido para Peru e Colômbia até 31 de dezembro do ano que vem.

Para o Equador, neste período, haverá uma revisão e para a Bolívia o prazo será de seis meses.

Neste período, o presidente americano poderá rever o programa de preferências tarifárias para o país governado por Morales.

Em setembro, Morales expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Bolívia e pouco depois, numa declaração pública, o governo Bush anunciou que ia rever as preferências para a Bolívia.

Dias depois das expulsões, os EUA incluíram pela primeira vez a Bolívia na lista de países que as autoridades de Washington classificam como produtores de drogas ou que são usados como corredores por traficantes.

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