Boko Haram deixou quase mil mortos desde 2009, diz relatório

Sobe para 185 o número de vítimas em ataque do grupo na cidade de Kano, a terceira maior da Nigéria

iG São Paulo |

A seita islâmica nigeriana Boko Haram deixou pelo menos 935 mortos desde que promoveu um levante em 2009, afirmou nesta terça-feira o grupo de defesa dos direitos humano Human Rights Watch. O documento é publicado no momento em que a Nigéria vive uma onda de violência patrocinada pelo grupo, que tem o Taleban do Afeganistão como modelo.

De acordo com a Human Rights Watch, o Boko Haram causou mais de 250 mortes apenas em 2012, em ataque contra igrejas, delegacias, instalações militares, bancos e bares na região norte da Nigéria, majoritariamente muçulmana. No idioma hausa, o nome do grupo quer dizer “a educação ocidental é pecaminosa".

AP
Policial passa por mercado destruído em ataque do Boko Haram em Kano, na Nigéria

Nesta segunda-feira, autoridades disseram que subiu para 185 o número de mortos em uma série de ataques do Boko Haram na terceira maior cidade da Nigéria, Kano. O atentado aconteceu na sexta-feira, mas nesta terça-feira tiros ainda eram ouvidos na cidade de nove milhões de habitantes, segundo testemunhas.

Segundo a polícia, os ataques mataram 150 civis, 29 policiais, três agentes da polícia secreta, dois oficiais de imigração e um funcionário da alfândega. Autoridades informaram que 158 suspeitos de integrar o grupo foram presos.

Na sexta-feira, o porta-voz da polícia Olusola Amore disse que os agressores tiveram como alvo cinco prédios policiais, dois escritórios de imigração e a sede local do Serviço de Segurança do Estado, a polícia secreta da Nigéria.

Nuvens de fumaça se ergueram sobre a cidade enquanto moradores em pânico tentavam fugir das áreas em que as explosões foram registradas. Uma testemunha do ataque lançado contra uma delegacia no sul da cidade contou ter visto seis pistoleiros chegando de carro e de moto e disparando de modo a abrir caminho, antes de detonar uma bomba.

De acordo com a BBC, esse é o mais grave ataque já realizado pelo grupo Boko Haram contra a polícia e representa um constrangimento para as autoridades do país. Abul Qaqa, um porta-voz do Boko Haram, disse na cidade de Maiduguri, no nordeste da Nigéria e que abriga o QG do grupo militante, que os ataques foram uma resposta à recusa das autoridades em libertar militantes da organização que estão presos.

Além da violência sectária, a Nigéria tem sido marcada nos últimos dias por uma série de manifestações populares contra o projeto do governo de cortar subsídios à gasolina no país. Sob pressão dos protestos populares, o governo chegou a rever, parcialmente, seus planos em relação aos subsídios.

Com AP, Reuters e BBC

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