Bogotá, Washington e Paris confirmam versão oficial do resgate de Ingrid

Meios de comunicação emitiram dúvidas sobre a veracidade do relatório oficial sobre a libertação por parte do Exército colombiano de 15 reféns das Farc, entre eles Ingrid Betancourt, mas Bogotá manteve sua versão e desmentiu o pagamento de qualquer resgate ao movimento guerrilheiro, assim como Washington e Paris.

AFP |

A emissora Radio Suisse Romande (RSR) afirmou que membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) receberam cerca de 20 milhões de dólares para libertar os reféns. "Na verdade, os 15 reféns foram comprados. Depois, toda a operação de libertação foi encenada", sustentou a rádio pública, citando "uma fonte próxima do caso".

Reagindo a estas informações, o general Freddy Padilla, comandante das Forças Armadas colombianas, declarou que Bogotá "não pagou um centavo sequer nesta operação".

Padilla considerou, inclusive, que teria sido melhor se o homem encarregado de vigiar os reféns, conhecido como 'Cesar', tivesse aceitado milhões de dólares, pois isso teria demonstrado "a decomposição das Farc".

Indagado sobre as informações da RSR, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, desmentiu que os Estados Unidos tivessem desembolsado qualquer resgate.

"Quando pagamos pela libertação dos três cidadãos americanos? Nada. Nem um dólar, nem um peso, nem um euro. Absolutamente nada", afirmou.

A França também negou o pagamento de resgate para recuperar Ingrid Betancourt. "A resposta é simples: não", declarou o porta-voz do ministério francês das Relações Exteriores, Eric Chevallier.

"Como não participamos desta operação. não fomos associados às suas modalidades de financiamento, se é que teve modalidades de financiamento", acrescentou.

Em Paris, Ingrid Betancourt foi questionada sobre as declarações da RSR durante uma entrevista coletiva organizada depois de uma recepção no palácio presidencial do Eliseu.

"De acordo com o que vi durante a operação - e sinceramente não me considero uma pessoa fácil de enganar - não acredito que tenha havido uma encenação", declarou a ex-refém.

"Houve muita tensão. Foi tão estressante que nossos companheiros resistiram, eles não queriam entrar no helicóptero. Eles achavam que estávamos caindo em uma armadilha", acrescentou.

Em junho, o presidente colombiano Alvaro Uribe anunciou ter sido contactado por membros importantes das Farc que queriam libertar reféns em troca de uma alta quantia em dinheiro.

A revista colombiana Semana deve publicar domingo uma investigação sobre a libertação dos reféns, explorando a pista de uma rendição - mediante pagamento - dos guerrilheiros encarregados de vigiar os seqüestrados.

Esta versão seria sem dúvida menos gloriosa do que a de uma audaciosa operação de comando planejada pelo governo de Uribe, que prega uma política de linha-dura contra os movimentos guerrilheiros.

O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, explicou quarta-feira que a libertação dos reféns também foi possível graças à infiltração de um agente de inteligência no alto comando da guerrilha.

França, Suíça e Espanha haviam sido encarregadas por Uribe de conduzir uma missão de mediação com as Farc. Dois emissários europeus, o ex-cônsul francês Noël Saez e o diplomata suíço Jean-Pierre Gontard, estiveram na Colômbia nestas últimas semanas.

Segundo o jornal de oposição El Espectador desta sexta-feira, estes dois emissários, encarregados de estabelecer um contato com as Farc, foram manipulados pelo governo de Uribe e serviram para desviar a atenção dos rebeldes enquanto estava sendo preparada a operação de resgate de Ingrid Betancourt.

Outras informações da imprensa evocam uma eventual ajuda estrangeira, sobretudo americana e israelense, aos militares colombianos.

A rádio militar israelense informou nesta sexta-feira que dois conselheiros deste país participaram dos preparativos da libertação dos reféns.

Santos garantiu, no entanto, que a operação "foi 100% colombiana".

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