O governo colombiano anunciou nesta segunda-feira que buscará um contato direto com a guerrilha das Farc para a libertação dos reféns, argumentando que perdeu a confiança nos mediadores de França e Suíça.

"Hoje a decisão tomada depois da libertação de Ingrid (Betancourt), dos três norte-americanos e dos membros da força pública é de que vamos estabelecer esse contato direto para vermos se por esse caminho podemos avançar", disse o alto comissário para a paz, Luis Carlos Restrepo, à rádio La W.

Restrepo ressaltou que o objetivo é contatar o principal líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano e explicou que essa decisão foi tomada porque a confiança nos delegados da França, Noel Saez, e da Suíça, Jean-Pierre Gontard, ficou "minada".

O alto comissário disse que o presidente Alvaro Uribe afirmou "em tom muito enérgico" aos dois enviados europeus que "a confiança do governo havia sido minada".

Reitero o que "disse o presidente, que depois de receber toda essa informação a confiança nestes emissários foi quebrada", acrescentou Restrepo.

Restrepo se referia a dados encontrados nos computadores do número dois das Farc, Raúl Reyes, morto no dia 1o de março em território equatoriano, e que Bogotá considera que comprometem de maneira "muito grave" os enviados europeus.

Segundo Bogotá, os dados dos computadores envolveriam pelo menos um dos emissários europeus com a transferência de dinheiro da guerrilha.

Restrepo esclareceu, entretanto, que "não se pode abrir mão do acompanhamento internacional".

"O assunto é que aqui o emissário é muito importante, porque no caso de Gontard é ele que tem os contatos e a confiança das Farc para entrar no território. Mas creio que isso merece um replanejamento de fundo, o mesmo que a dinâmica do acompanhamento", afirmou.

axm/dm

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.