(acrescenta versão preliminar sobre a causa do acidente) Moscou, 14 set (EFE) - Um Boeing 737 da companhia aérea russa Aeroflot caiu hoje em Perm, perto dos Montes Urais, em um acidente no qual seus 88 ocupantes morreram, inclusive sete crianças e 21 estrangeiros. Segundo o Ministério de Situações de Emergência russo, o avião caiu sobre um trecho de uma ferrovia durante a manobra de aterrissagem a apenas centenas de metros do Aeroporto de Perm, cidade de cerca de um milhão de habitantes. O avião parecia um cometa em chamas, relatou um dos moradores da região que presenciaram o acidente, em declarações ao canal de televisão Vesti. A porta-voz do Ministério de Situações de Emergência, Irina Andrianova, disse que os restos da aeronave ficaram espalhados por um raio de quatro quilômetros, próximo até de casas. O avião caiu junto às ruas Sovietskaya Armia e Torpinski, no distrito Industrialni, de Perm. Pelo visto, os pilotos tentaram evitar um choque com as casas próximas, disse a ministra.

A aeronave, em uso desde 1992, caiu sobre uma linha férrea, danificando um trecho de 500 metros da ferrovia conhecida como Transiberiana, obrigando à suspensão do tráfego no lance entre Yekaterimburgo e Perm.

Horas depois do acidente, no começo da manhã, as equipes de resgate encontraram as duas caixas-pretas da aeronave, que devem ser enviadas a Moscou para análise.

Segundo o chefe do comitê de investigação da Procuradoria-Geral da Rússia, Aleksandr Bastrikin, um exame preliminar do local do acidente aéreo indica que a tragédia se deveu à "falha técnica e ao incêndio na turbina direita da aeronave".

De acordo com essa versão, os pilotos do Boeing 737 tentaram, em vão, efetuar uma aterrissagem de emergência após a explosão de um dos motores.

O contato com o avião foi perdido à 1h12 hora de Moscou (18h12 de sábado em Brasília) quando voava a uma altitude de mais de mil metros.

Enquanto isso, o chefe de vôos do aeroporto de Perm, Savino Irek, contou ao "Canal 1" da televisão russa que o piloto tinha se comportado de maneira "inadequada".

O funcionário relatou que o piloto subiu a 1.200 metros antes de iniciar a aterrissagem, 300 metros a mais que o indicado.

"Era muito alto e já estava perto do aeroporto. Depois, já não entrou em comunicação com a torre de controle. Começou a perder altitude bruscamente. Escutei um grito. Então eu gritei: Conserve a altitude de 600 metros", contou.

Em seguida, acrescentou que, "após alguns segundos, ouviu uma explosão e perto da cidade era possível ver o incêndio e um grande clarão". Só então entendeu que tinha explodido. "Não seguiu minhas ordens. Pode ser que tenha acontecido algo e não quis comunicar", disse.

Logo após ser informado da queda do avião, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, ordenou a criação de uma comissão governamental liderada pelo ministro dos Transportes, Igor Levitin.

O ministro descartou a hipótese de atentado terrorista e estimou um prazo de entre três e quatro semanas para a completa análise das caixas-pretas.

Segundo a Aeroflot, 88 pessoas estavam a bordo do avião, sendo 82 passageiros - entre eles sete crianças - e seis tripulantes.

Havia 21 estrangeiros entre os passageiros: nove azerbaijanos, cinco ucranianos, um francês, um sueco, um americano, um letão, um alemão, um turco e um italiano, informou a Aeroflot em comunicado.

Aparentemente, três pessoas que compraram passagem para esse vôo não embarcaram no avião.

O acidente em Perm é a maior catástrofe aérea russa desde agosto de 2006, quando um avião Tu-154 da companhia aérea Pulkovo caiu na cidade de Donetsk (Ucrânia) quando tentava passar por uma tempestade.

Na ocasião, todos os ocupantes do avião morreram: 160 passageiros e 10 tripulantes.

No ano passado, a aviação russa registrou 33 acidentes com 318 mortos.

Quanto aos Boeings, o último acidente aconteceu em agosto, quando um modelo 737 caiu em Bishkek, capital do Quirguistão, deixando 65 mortos.

O avião acidentado hoje em Perm pertencia à Aeroflot-Nord, filial regional da Aeroflot, que contava com dez aeronaves Boeing-737-500 em sua frota. EFE bsi/wr/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.