Boca-de-urna indica possível segundo turno no Uruguai

As primeiras pesquisas de boca-de-urna divulgadas neste domingo após o fechamento das urnas na eleição presidencial no Uruguai indicam como provável a possibilidade de um segundo turno para definir o pleito. Segundo o analista Luis Eduardo González, do instituto de pesquisas Cifra, o candidato do governo, José Pepe Mujica, da Frente Ampla, teria conseguido 47% dos votos - menos do que os 50% mais um necessários para vencer no primeiro turno.

BBC Brasil |

Outro instituto de pesquisas, o Factum, diz que Mujica teria recebido entre 47% e 49% dos votos, também indicando a necessidade de um segundo turno. Um terceiro instituto, o Equipos Mori, indicou uma votação de 48,1% para Mujica.

Reuters
Mujica no momento do voto

Em entrevista à TV Canal 12, González afirmou mais cedo que a Frente Ampla deveria sair das urnas com uma votação semelhante à que conseguiu em 2004, quando o atual presidente, Tabaré Vázquez, foi eleito com pouco mais de 50% dos votos, interrompendo mais de 170 anos de história de alternância no poder entre os Partidos Nacional (Blanco) e Colorado.

O principal adversário de Mujica, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do Partido Blanco, teria recebido 30% dos votos, segundo o instituto Cifra, de 29% a 31%, segundo o Factum, ou de 28,3% segundo o Equipos Mori.

O terceiro candidato nesta corrida eleitoral, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, teria recebido 17% dos votos, segundo o Cifra, entre 17% e 18%, segundo o Factum, ou 18,1%, segundo o Equipos Mori.

A votação de Bordaberry superou as expectativas geradas pelas últimas pesquisas divulgadas antes das eleições, que colocavam em 13% as intenções de voto nele.

Bordabeyy é filho de Juan Bordaberry, que governou o país durante o período ditatorial e hoje está preso.

Estima-se que cerca de 90% dos 2,5 milhões de eleitores uruguaios compareceram às urnas para votar para presidente, vice-presidente, senador, deputado e ainda nos plebiscitos para anular ou não a lei de anistia que beneficiou militares e policiais acusados de crimes na ditadura (1973-1985) e ainda para aprovar ou rejeitar o voto, pelo correio, dos uruguaios radicados no exterior.

Pelos dados de boca de urna, segundo afirmou González, a votação pelo Fim da Lei da Anistia teria ficado pouco aquém dos 50% necessários para a sua revogação.

O voto pelo correio dos uruguaios no exterior também não teria sido aprovado.

Chácara
Logo depois de votar, em Montevidéu, o favorito Mujica partiu para sua chácara - "chácara do Pepe" -, a cerca de 13 quilômetros do centro da capital do país, onde dirigiu um trator, cuidando das suas terras.

"Seja qual for o resultado, o Uruguai continua amanhã e estamos todos no mesmo barco", disse o candidato.

Em recente entrevista à BBC Brasil, Mujica declarou: "Nunca imaginei estar neste lugar, de candidato a presidente. Mas se não ganhar, vou pra minha chácara, dirigir meu trator e abrir uma escola rural para crianças".

Mujica foi guerrilheiro do grupo Movimento de Liberação Nacional (MLN-Tupamaros), é senador eleito e foi ministro da Agricultura do atual governo do presidente Tabaré Vázquez.

Durante sua campanha, defendeu a "conciliação" entre os diferentes setores do país.

Lacalle, por sua vez, disse que espera a realização de um segundo turno, quando poderia contar com o apoio do Partido Colorado.

"Confiamos num segundo turno", afirmou.

Sol
Num domingo de sol, os uruguaios saíram às ruas com as bandeiras do país e de seus partidos.

Em lugares como a cidade de Colônia e em vários bairros de Montevidéu, a capital do país, os uruguaios buzinaram e gritaram o nome de seus candidatos.

Carregando garrafas com chimarrão, seguidores da Frente Ampla se reuniram durante o dia em vários pontos da orla de Montevidéu.

O mesmo ocorreu no bairro La Teja, de classe baixa, onde Tabaré cresceu politicamente.

"Votei no Mujica e tenho fé que ele vai ganhar, porque Tabaré fez muito por nós todos. E acredito que Mujica continuará a obra do presidente", afirmou à BBC Brasil a dona de casa Karen Pares, de 32 anos.

Com ela e o marido, Daniel da Fonseca, de 34 anos, que também votou na Frente Ampla, estava a filha do casal, Karoline da Fonseca, de 11 anos, usando o laptop que ganhou do governo, num dos programas implementados por Tabaré.

Já no bairro de Carrasco, de classe alta, moradores colocaram bandeiras dos Partidos Blanco e Colorado nos carros e nas janelas das casas.

A votação ocorreu num clima tranqüilo.

E apesar da geografia diferente da votação, entre os bairros mais e menos abastados, muros de alguns locais exibiam a frase: "Tabaré 2014".

O próximo presidente assume o cargo no dia primeiro de março de 2010 para um mandato de cinco anos, com campanha eleitoral em 2014.

A Constituição uruguaia não prevê a reeleição.

Tabaré afirmou, neste domingo, que seu governo "já trabalha" para preparar "uma transição transparente", seja qual for o resultado.

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