Boca-de-urna confirma força de Rafael Correa no Equador

Quito, 26 abr (EFE).- O presidente do Equador e candidato a reeleição, Rafael Correa, deve conquistar mais um mandato para o cargo em primeiro turno, segundo diversas pesquisas de boca-de-urna divulgadas no fechamento dos colégios eleitorais.

EFE |

De acordo com tais levantamentos, Correa, líder do movimento Aliança País, obteve entre 54% e 56% dos votos, seguido pelo ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez, do partido Sociedade Patriótica 21 de Janeiro (PSP), com uma percentagem entre 19% e 31%.

Falando em Guayaquil, a principal cidade do Equador e onde aguarda os resultados oficiais, Correa agradeceu os equatorianos pela confiança que voltaram a lhe dar, "um apoio histórico", segundo ele.

O presidente equatoriano prometeu que sua "opção preferencial (no novo mandato) é pelos pobres e pelos mais fracos".

As pesquisas de boca-de-urna do instituto "Cedatos" dão a Correa 56% dos votos, enquanto que Gutiérrez teria 19% e Álvaro Noboa, 8,9%.

Já para a SP Estudios e Investigaciones, Correa recebeu 54% dos votos; Gutiérrez, 31%; e Noboa, 8%.

Com essas porcentagens, Correa escreve uma página mais em seu livro de triunfos eleitorais. Este economista de 46 anos recebeu o apoio popular em cada uma das seis vezes em que encarou as urnas desde 2006.

Naquele ano, Correa disputou o primeiro turno das eleições para presidente em outubro e o segundo em novembro, saindo vencedor do pleito.

Em abril de 2007, o presidente do Equador demonstrou sua força quando um referendo popular aprovou a redação de uma nova Constituição, e teve apoio ainda maior nas eleições para escolher os membros da Constituinte encarregados de fazê-lo.

Uma vez redigida a nova Constituição, os equatorianos deram seu apoio em novo referendo em setembro do ano passado.

A nova Carta Magna, que permite a reeleição por um período consecutivo, exigia a convocação de eleições gerais, realizadas hoje, nas quais tudo indica que Correa voltou a derrotar à oposição.

Em 2006, quando Correa assumiu o poder, os partidos políticos tradicionais, como o Social Cristão (PSC), o Roldosista Equatoriano (PRE) e a Esquerda Democrática, entre outros, tinham ampla influência na arena política do país.

A chegada de Correa ao poder marcou uma mudança no cenário eleitoral, caracterizado pela perda de espaço dos partidos tradicionais, o isolamento de grupos sociais antes influentes, como a Confederação de Nações Indígenas, e o poder nas mãos de novos atores sociais.

Também marcou um abalo na relação da imprensa com o chefe de Estado, pois Correa criticou duramente alguns veículos ao acusá-los de serem vozes do esquema neoliberal com o qual se governou em favor da elite e em detrimento dos mais pobres.

O presidente enfrentou a influência da imprensa com as mesmas armas e, em seu programa semanal de rádio, transmitido para todo o país, informa sobre seus trabalhos e projetos, além de responder ou atacar seus adversários políticos.

Os opositores criticam Correa por considerar que abuso dos meios de comunicação para se promover, mas o Governo se defende apontando que é uma "obrigação" do presidente informar sobre seus trabalhos ao povo.

Agora, a oposição se depara com um difícil obstáculo na figura de Correa, que não dá trégua em seus ataques contra o que chama de "partidocracia" e veículos de comunicação "corruptos".

O Governo equatoriano diz que respeita a opinião alheia e lembra que não fechou nenhum veículo de imprensa e nem ordenou a prisão dos que discordam com a Administração.

O olhar político se volta agora para a Assembleia Nacional, onde a oposição procura se refugiar para enfrentar Correa, embora a formação desta ainda não seja conhecida. EFE sm/bba

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