O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner superou Francisco de Narváez, seu adversário mais direto na disputa por uma vaga de deputado na província de Buenos Aires, por uma vantagem mínima nas eleições legislativas argentinas neste domingo, segundo as últimas pesquisas de boca-de-urna.

De acordo com os levantamentos encomendados pelas redes de televisão "C5N" e "TN", Kirchner teria menos de três pontos de vantagem sobre Nárvaez na província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país.

Já segundo as pesquisas dos jornais "Clarín" e "La Nación", ambos estariam em situação de empate técnico.

Pesquisas

A vantagem de Kirchner seria de seis pontos, segundo porta-vozes do partido governista Frente para a Vitória, cujos dados não coincidem com os de boca-de-urna revelados até agora.

Na cidade de Buenos Aires, onde 2,5 milhões de eleitores estão aptos a escolher 13 deputados, todas as pesquisas apontam para a vitória de Gabriela Michetti, candidata da aliança conservadora União-PRO, formada por Proposta Republicana (PRO) e peronistas dissidentes.

Depois de Michetti, aparece o cineasta Fernando "Pino" Solanas, de esquerda, com uma apertada vantagem sobre Alfonso Prat-Gay, da aliança opositora Acordo Cívico e Social (ACS).

Cerca de 28 milhões de argentinos foram convocados às urnas para renovar quase a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado em eleições legislativas nas quais o Governo põe em jogo sua maioria parlamentar.

"Fizemos uma excelente eleição na cidade de Buenos Aires e, na província de mesmo nome, foi um pleito histórico. Estamos recebendo resultados muito bons", destacou o dirigente da aliança União-PRO Horacio Rodríguez Larreta minutos depois do fechamento da votação.

Embora as eleições tenham começado com alguns atrasos devido à falta de pontualidade de algumas autoridades eleitorais, o pleito transcorreu com calma nos 13.219 centros de votação habilitados.

A única característica pouco usual da jornada eleitoral foi a adoção de medidas de prevenção para evitar o contágio da gripe suína, que já matou 26 pessoas e infectou 1.587, segundo números oficiais.

Na Argentina, o voto é obrigatório e, duas horas antes do fechamento do pleito, a média de participação rondava os 55% na capital argentina e na província de Buenos Aires, os dois principais distritos eleitorais do país.

Risco peronista

Nestas eleições, o Governo da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, põe em risco a maioria peronista no Parlamento. Além disso, os resultados de hoje ajudarão a definir o mapa político do país para o pleito presidencial de 2011.

Os principais candidatos, inclusive opositores que tinham expressado suspeitas de fraude, destacaram a normalidade das eleições deste domingo, apesar de alguns terem denunciado irregularidades como o roubo e a destruição de cédulas de votação.

"Vivo esta jornada eleitoral como bom democrata", declarou Néstor Kirchner, marido e antecessor de Cristina na Presidência argentina, após votar na condição de cabeça de lista do Governo pela província de Buenos Aires.

A presidente argentina declarou que os eleitores do país tiveram hoje a possibilidade de escolher "entre dois modelos", após votar na província (estado) de Santa Cruz.

Por sua vez, o empresário Francisco de Narváez, principal rival de Kirchner à frente da lista da aliança União-PRO, afirmou se sentir "muito feliz" com a normalidade deste pleito.

Como as autoridades de saúde recomendaram que a população evitasse aglomerações para reduzir o risco de contágio da gripe, muitos cidadãos compareceram às urnas com máscaras cirúrgicas ou cobriram seus rostos com cachecóis.

Nas zonas eleitorais da província de Buenos Aires, onde se registra a maior quantidade de vítimas da doença, houve distribuição de álcool em gel.

Analistas preveem que o Governo argentino perderá a maioria parlamentar, mas se manterá como principal força política.

Além disso, anteciparam que os resultados eleitorais podem demorar a ser fechados esta noite devido à votação apertada na província de Buenos Aires e a coincidência das legislativas provinciais e municipais.

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