JERUSALÉM - Pesquisa de boca-de-urna divulgada nesta terça-feira pelo Canal 1 da TV israelense aponta que os judeus ultra-ortodoxos devem perder a Prefeitura de Jerusalém para o laico Nir Barkat.

O canal, que realizou a pesquisa junto à emissora pública Voz de Israel, conclui que Barkat, um empresário de 49 anos e lançado como candidato independente, teria alcançado 50% dos votos.

Com 42% estaria, segundo a pesquisa, o ultra-ortodoxo Meir Porush, do partido Judaísmo Unido da Torá, que, no entanto, mostrou sua confiança em que os resultados definitivos lhe darão a vitória.

O terceiro candidato na disputa, o milionário russo Arkadi Gaydamak, do recém-criado Partido da Justiça Social, mal chegava a 7%, enquanto Dan Birón, representante do Partido da Folha Verde, só alcançava 1% dos votos.

Os israelenses elegeram nesta terça os prefeitos de 159 cidades, localidades, povoados para os próximos cinco anos, em um pleito que serve de preliminar das eleições gerais antecipadas, de 10 de fevereiro.

Em Jerusalém, os ultra-ortodoxos, liderados por Uri Lupolianski, estiveram à frente da Prefeitura nos últimos cinco anos, uma situação que pode mudar drasticamente caso se cumpra o prognóstico das pesquisas de boca-de-urna.

Por enquanto, Barkat, que perdeu as eleições municipais anteriores apesar de partir como favorito, não fez nenhuma declaração pública à espera que os resultados sejam conclusivos.

Em Jerusalém, onde vivem 750 mil habitantes, a maioria dos 230 mil palestinos moradores da parte oriental não foi às urnas, seguindo as chamadas da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que considera que exercer o direito ao voto suporia o reconhecimento implícito da soberania israelense sobre toda a cidade.

Os palestinos reivindicam a parte leste da cidade, ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), como capital de seu futuro estado.

Barkat, empresário do setor de alta tecnologia e informática, declarou durante sua campanha que Jerusalém - considerada pela legislação de Israel como sua "capital eterna e indivisível" - "deve permanecer unificada, como capital do povo judeu, e aberta a todo o mundo e religiões".

Para os cerca de 30% dos habitantes árabes de Jerusalém, o político não oferece mais do que a residência permanente e sua integração na cidade em igualdade de condições econômicas à população judaica.

Em contraposição à população ultra-ortodoxa, o político se ergueu como representante dos laicos e prometeu tratar de devolver à cidade um espírito progressista em termos econômicos, apoiado em sua experiência nos negócios.

Nas últimas décadas, esta comunidade religiosa judia apresentou um aumento considerável de sua população em Jerusalém, transformando numerosos bairros tradicionalmente laicos em cenário de uma luta corpo-a-corpo entre seculares e ortodoxos para preservar seus costumes e demografia.

Barkat se apresentou como candidato independente após abandonar a formação governante Kadima, por divergências sobre o futuro da cidade.

Diferentes dirigentes do Kadima, liderado pela atual ministra de Relações Exteriores e chefe da equipe negociadora israelense nas negociações de paz com os palestinos, expressaram que a cidade santa deve ser dividida a fim de resolver o conflito do Oriente Médio.

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