Pesquisa realizada por instituto estatal aponta que Rússia Unida ficou com 48,5% dos votos, número muito abaixo dos 64% de 2007

Uma pesquisa de boca de urna divulgada pela TV estatal da Rússia, realizada pela organização do Estado das eleições, a VTsIOM, indicou que o partido do atual premiê Vladimir Putin, o Rússia Unida, teve apenas 48,5% dos votos, número muito abaixo dos 64% conquistados em 2007.

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Funcionários da comissão eleitoral esvaziam urnas em colégio eleitoral de São Petersburgo
AP
Funcionários da comissão eleitoral esvaziam urnas em colégio eleitoral de São Petersburgo


O Partido Comunista, segundo a sondagem, teria ficado com 19,8%. Uma outra pesquisa, feita pelo instituto FOM creditou ao Rússia Unida 46% dos votos. Os primeiros resultados oficiais, com 15% das urnas apuradas, mostram um total de 46% para o Rússia Unida.

O partido de Putin e do presidente Dmitri Medvedev detém atualmente dois terços da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. Essa maioria permite ao partido que faça mudanças na Constituição sem ser questionado.

Era esperado que a votação de hoje enfraquecesse o partido Rússia Unida, apesar do esforço do governo em marginalizar os grupos de oposição. O descontentamento da população com o estilo "homem forte" de Putin parece crescer cada vez mais, impulsionado pela corrupção das autoridades.

O premiê russo quer que seu partido vá bem nas parlamentares, para, assim, facilitar seu caminho para o retorno à presidência em uma eleição que acontece daqui a três meses. Ele alertou que um Parlamento com um grande número de partidos iria levar a uma liderança política instável e disse que os governos do ocidente querem minar a votação.

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Fraudes

Membros da oposição e grupos observadores registraram violações e fraudes em favor do partido que domina a vida política da Rússia há uma década.

O Partido Comunista e o liberal Partido Yabloko reclamaram neste domingo de violações com o objetivo de dar mais votos à Rússia Unida e de dificultar o trabalho de seus observadores.

Em Vladivostok, eleitores reclamaram com a polícia que a Rússia Unida estava oferecendo comida de graça em troca do voto ao partido. Em São Petersburgo, um fotógrafo da Associated Press viu um botton da Rússia Unida preso na cortina de um colégio eleitoral. Em Moscou, alguns jornalistas foram brevemente detidos por tirar fotos nas seções.

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Uma entidade de fiscalização financiada pelo Ocidente e dois órgãos de imprensa independente disseram que seus sites foram fechados por hackers na tentativa de silenciar acusações de fraude. Páginas pertencentes à rádio Ekho Moskvy, ao portal Slon.ru e ao órgão Golos saíram do ar por volta das 8 horas (horário local). "Grandes cyberataques estão ocorrendo no sites do Golos e no mapa mostrando violações," afirmou o Golos no Twitter.

Golos, o único grupo de observação eleitoral independente do país, disse que na cidade do Samara do Rio Volga, observadores e membros da comissão eleitoral de partidos da oposição foram impedidos de verificar se as urnas estavam seladas.

Washington afirmou que se preocupa com a "forma de assédio" contra o órgão.

O editor-chefe da Ekho Moskvy, Alexei Venediktov, escreveu no Twitter: "É óbvio que o ataque no dia da eleição no site (da rádio) é parte de uma tentativa de impedir a publicação de informações sobre as fraudes."

Mikhail Kasyanov, ex-primeiro ministro quando Putin era presidente, disse que ele e outros ativistas da oposição que votaram no domingo não têm nenhuma ilusão de que a contagem será justa. "Está absolutamente claro que não haverá contagem real", disse. "As autoridades criaram uma imitação de uma instituição muito importante, cujo nome é eleição livre, não é livre e não é eleição."

O atual presidente russo, Dmitri Medvedev, que deixará o posto em março para o retorno de Putin, rejeitou as acusações de fraude. A promotoria pública e a Comissão Central de Eleições não foram encontradas para comentar o assunto.

O líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, afirmou que parecem ter havido fraudes em várias das 93 regiões russas. "Acabei de falar com nosso pessoal na Sibéria e no extremo leste e a situação é muito preocupante," afirmou.

Com AP e Reuters

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