Marta Miera. Pequim, 18 jun (EFE).- O Banco Mundial (BM) elevou hoje para 7,2% as previsões referentes ao crescimento da China neste ano e aconselhou o país asiático a ter parcimônia em relação aos estímulos fiscais.

Numa entrevista coletiva em Pequim, o BM reconheceu que o pacote econômico de US$ 586 bilhões anunciado por Pequim em novembro está ajudando a manter uma taxa de crescimento aceitável.

Mas, apesar de os fortes investimentos em infraestrutura estarem favorecendo a criação de empregos (2,7 milhões de postos de trabalho no primeiro trimestre), a entidade recomendou o país a "não dar mais estímulos".

"Segundo as previsões atuais, não é necessário e provavelmente não é conveniente dar mais incentivos tradicionais em 2009. Uma das razões é que o déficit fiscal está prestes a ficar significativamente maior que o Orçamento deste ano e um estímulo adicional agora poderia reduzir a margem de estímulo em 2010", disse.

O órgão acrescentou que "a influência dos investimentos do Executivo sustentará o crescimento de 2009. No entanto, há limites de até quanto e quando o crescimento da China pode ficar desassociado do crescimento global baseando-se na influência dos gastos do Governo".

Segundo o relatório, "as políticas fiscais e monetárias expansivas não terão um efeito tão significativo em 2010. Por isso, outros indicadores, como o investimento privado, o consumo e as exportações, terão de responder positivamente para a manutenção de um crescimento econômico sustentado no próximo ano".

Com um crescimento aceitável, "a China pode ter a confiança necessária para insistir em políticas com visão de futuro e em reformas estruturais", afirmou Louis Kujis, um dos autores do relatório apresentado hoje.

A China, terceira maior economia do mundo, cresceu 13% em 2007.

No ano passado, devido à crise global, a expansão do PIB foi menor, de 9%. Já no primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 6,1%, um pouco menor que a previsão para todo o ano apresentada pelo BM em março, de 6,5% "O crescimento da China deve continuar apresentando taxas aceitáveis este ano e no próximo, apesar de ser muito cedo para dizer que (o país) está a caminho de uma sólida recuperação", declarou o economista Ardo Hansson.

Por outro lado, segundo especialista, a taxa de crescimento do gigante asiático só voltará a ser de dois dígitos quando a economia mundial melhorar de forma significativa.

"Achamos que a China continuará crescendo, mas não achamos que conseguirá recuperar os dois dígitos (de expansão) se não houver uma recuperação da economia mundial", destaca o documento do BM.

A respeito das exportações, principal motor do crescimento chinês - ao lado dos investimentos privados -, o órgão multilateral de crédito ressaltou que, no momento, são o "do principal lastro" do país.

"As fracas exportações continuam sendo o principal lastro do crescimento, enquanto o volume de importações se recuperou no segundo trimestre de 2009, como no caso das matérias-primas", diz o relatório.

O BM concluiu ainda que, neste ano, as exportações e importações chinesas cairão 10,1% e 4,7%, respectivamente.

Desde o ano passado, mais de 20 milhões de chineses perderam o emprego devido à queda das exportações destinadas aos EUA, à Europa e ao Japão.

Num momento em que "a demanda global diminuiu e, portanto, existe menos crescimento das exportações, a China deve estimular a demanda doméstica", disse o BM, que prevê um crescimento de 8,4% no consumo interno e outro de 12,6% na formação bruta de capital.

O relatório do órgão destaca ainda que "há pouco risco de uma deflação global, embora o excesso de oferta continue pressionando os preços para baixo". Outra previsão é que "uma rápida recuperação em nível mundial parece pouco provável". EFE mmp/sc

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