Bloqueio de manifestantes adia novo Governo tailandês

Bangcoc, 29 dez (EFE).- O Parlamento da Tailândia adiou até amanhã a sessão à qual compareceria o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, por causa de um bloqueio de manifestantes.

EFE |

O presidente da Câmara Baixa, Chai Chidchob, avisou aos parlamentares que Vejjajiva deve explicar aos parlamentares as principais linhas de seu futuro Governo amanhã às 9h30 locais (0h30 de Brasília).

"Negociamos com os líderes do protesto durante o dia todo sem sucesso, mas continuaremos com nossos esforços. Isto não afetará os planos do Governo", disse.

Os ativistas que bloquearam a sede parlamentar são os seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que tentam derrubar o novo Executivo, acusando-o de chegar ao poder por um golpe de Estado disfarçado.

A Constituição estabelece que o Governo só pode começar a trabalhar de forma oficial após seu chefe expor seu programa político ao Parlamento e, por isso, os manifestantes tentam impedir seu comparecimento a todo custo.

Jakrapob Penkair, um dos líderes da mobilização e ex-porta-voz do Governo de Shinawatra, assegurou que seus correligionários continuarão protestando por pelo menos mais dois dias.

Por sua parte, Natthawut Saikua, outro cabeça do movimento, avisou que seus companheiros não interromperão as manifestações mesmo que o Governo adie o comparecimento ou mude a sede do mesmo.

A concentração dos seguidores de Shinawatra, agrupados sob o nome de Aliança Democrática contra a Ditadura, começou no domingo e se intensificou hoje, com a chegada de milhares de pessoas das províncias próximas a Bangcoc.

Os organizadores da mobilização indicaram que pelo menos 10 mil pessoas responderam à sua chamada embora a Polícia calcule o número de manifestantes em pouco mais de 5 mil.

Os chefes das novas mobilizações são os opositores dos ativistas que combateram os últimos dois Governos e causaram a crise que desembocou no bloqueio dos dois principais aeroportos da capital durante mais de uma semana, em novembro.

Vestidos com camisetas vermelhas em contraposição às amarelas, emblema dos protestos anteriores, os seguidores de Shinawatra consideram que o Governo do atual primeiro-ministro carece de legitimidade por ter chegado ao poder após a inabilitação de seu antecessor, Somchai Wongsawat, que era de seu agrado.

A inabilitação de Wongsawat e a dissolução do Partido do Poder do Povo foram precisamente a circunstância que motivou o final das manifestações do outro grupo, os seguidores da Aliança Popular para a Democracia, cujo objetivo era expulsar do Executivo os seguidores de Shinawatra.

O político e magnata, agora no exílio em Dubai, foi derrubado por um golpe de Estado em 2006 e condenado à revelia a dois anos de prisão por abuso de poder.

A chegada ao poder de Vejjajiva, o terceiro primeiro-ministro tailandês em menos de quatro meses, foi vista por muitos analistas como a esperança de pôr fim a meses de crise política.

Vejjajiva foi eleito chefe do Executivo em 15 de dezembro e recebeu o apoio do influente Prem Tinsulanonda, primeiro-conselheiro do Rei Bhumibol Adulyadej.

"Durante os últimos anos, o povo não foi feliz. Agora, o país é afortunado por ter um primeiro-ministro que tenho certeza que nos tirará da crise", disse Tinsulanonda em discurso pronunciado durante o fim de semana passado. EFE tai/jp

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