Bloco africano dá ultimato para Mali restabelecer poder em 72 horas

Caso militares que deram o golpe de Estado não cumpram exigências, país pode sofrer embargos diplomático e econômico

iG São Paulo |

A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) deu nesta quinta-feira um ultimato de 72 horas para a junta militar que deu um golpe de Estado em Mali devolver o poder ao presidente deposto, Amadou Toumani Touré.

Golpe: Militares tomam o poder e suspendem Constituição em Mali

AP
Amadou Haya Sanogo, chefe da junta militar que deu o golpe de Estado em Mali, concede entrevista no aeroporto de Bamaco
Caso os golpistas não cumpram essa exigência, o bloco ameaçou aplicar um embargo diplomático, com a retirada de seus embaixadores em Mali, e um econômico, com o congelamento de ativos da junta militar e interrupção do envio de fundos do bloco ao país.

Em reunião em Abidjan, o grupo suspendeu Mali nesta semana como membro da organização e também ameaçou os militares com o fechamento de fronteiras dos países-membros, além da proibição de viagens pela região para integrantes da junta militar.

Delegação

A reunião, que durou seis horas, aconteceu depois que uma delegação dos chefes de Estado da Cedeao cancelou uma reunião que tinha prevista com a junta militar malinesa em Bamaco.

A delegação teve de retornar nesta quinta-feira a Abidjan depois que grupos de apoio aos golpistas ocuparam a pista de aterrissagem do aeroporto internacional de Bamaco, onde deveriam chegar os aviões nos quais viajavam os membros da missão.

O imprevisto aconteceu em um dia de violentos enfrentamentos em Bamaco entre partidários da junta militar e manifestantes que protestavam contra o golpe de Estado que derrubou o presidente Amadou Toumani Turé no último dia 22 de março .

Diante dos incidentes, a missão da Cedeao desistiu de se reunir com o capitão Amadou Haja Sanogo, chefe dos golpistas. Não se falou em nova data para o encontro.

Na capital: Soldados saqueiam palácio presidencial em Mali

O golpe, visto como um revés para frágeis conquistas democráticas na África, foi desencadeado pela ira do Exército com a forma como o presidente Touré lidou com uma rebelião tuaregue no norte, que vem ganhando força nas últimas semanas.

Os soldados dizem que não têm as armas ou os recursos para deter rebeldes do norte liderados pelos tuaregues. A insurgência étnica tuareg no note do país ganhou força quando partidários do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , morto em outubro, voltaram a Mali fortemente armados.

*Com EFE

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