Bloco africano anuncia sanções contra Mali após golpe militar

Medidas da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental incluem fechamento de fronteiras e bloqueio de conta do país em banco regional

iG São Paulo |

O bloco africano Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) impôs nesta segunda-feira sanções contra Mali , depois de um prazo de 72 horas dado na semana passada para que a junta militar que deu o golpe de Estado que depôs o presidente Amadou Toumani Touré restabelecesse o poder e a ordem constitucional.

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AP
Amadou Haya Sanogo, capitão responsável pelo golpe de Estado, não deu data certa para eleições (1º/4)
Membros da Cedeao se reuniram em caráter de ermergência nesta segunda-feira no Senegal. Depois de três horas de reunião, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, que atualmente presidente o bloco em regime de rotatividade, disse que as sanções entrarão em vigor imediatamente.

As sanções incluem o fechamento das fronteiras de outros países com Mali e o bloqueio da conta do país em um banco central da região, medida que busca sufocar a economia do país extremamente pobre e sem saída para o mar.

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Como Mali importa petróleo e derivados da vizinha Costa do Marfim, com o fechamento da fronteira o país pode ficar sem abastecimento de gasolina. As sanções também deixariam o país de 15 milhões de habitantes na escuridão, pois grande parte da eletricidade é proveniente da queima de diesel, especialmente no verão, quando a energia hidroelétrica é ineficaz devido à baixa capacidade freática.

Segundo Ouattara, as medidas começarão a ser aplicadas hoje e durarão até que a ordem constitucional seja restabelecida.

Militares deram um golpe contra o governo do presidente Touré no fim de março, depois de um motim em uma base militar da capital Bamaco. Na semana passada, o bloco africano deu um prazo de 72 horas para os militares estabelecerem o poder de Touré antes de enfrentarem sanções. No domingo, em uma tentativa de evitar as sanções, o capitão Amadou Haya Sanogo declarou que estava restabelecendo a Constiruicao do país e estava planejando uma data para as eleições.

Em uma coletiva de imprensa no domingo, Sanogo se recusou a dar uma data prevista para as eleições e buscou fugir de jornalistas que perguntaram se ele continuaria presidente durante o período de transição antes da eleição.

Motim

O golpe de estado começou com motim porque os soldados se negam a participar dos confrontos entre o Exército e as forças independentistas tuaregue no norte de Mali, que pegaram em armas em 17 de janeiro para reivindicar separação do país.

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A insurgência étnica tuareg no note do país ganhou força quando partidários do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , morto em outubro , voltaram a Mali fortemente armados. De acordo com o Exército, que apelou por armamentos mais potentes para o combate, o governo civil não fez o suficiente para conter a insurgência, que quer a separação do país.

Na sexta-feira, Sanogo pediu ajuda externa para proteger o país contra a rebelião separatista tuaregue no norte do país, alertando que a situação era "crítica". "Nosso Exército precisa da ajuda dos amigos de Mali para salvar a população civil e a integridade territorial de Mali", Sanogo disse em entrevista coletiva na capital Bamaco.

*Com AP

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