Blitz em Lisboa identifica imigrantes ilegais brasileiros

Dezenas de brasileiros foram identificados numa blitz que ocorreu nesta quinta-feira no centro de Lisboa. Nas regiões de Mouraria e Intendente, na capital portuguesa, mais de 300 agentes de seis forças policiais entraram em lojas, restaurantes, pensões e abordaram freqüentadores e pedestres.

BBC Brasil |

"Viemos essencialmente repor algum sentimento de segurança e tranqüilidade pública nessa área", disse à BBC Brasil o comandante da operação, o intendente Neto Gouveia, da Polícia de Segurança Pública.

"Foi reportada a existência de um conjunto de circunstâncias, prostituição, dependência química, pequeno tráfico, estrangeiros em situação ilegal, estabelecimentos sem licença, falta de pagamento de impostos."
20 dias
Durante três horas, além da Polícia de Segurança Pública, estiveram na região a Autoridade de Segurança Alimentar e Econômica (que verificou qualidade dos alimentos nos restaurantes), a Autoridade das Condições de Trabalho, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a Câmara Municipal de Lisboa (que verificou as licenças das lojas), a Polícia Municipal (que procurava as pensões onde as prostitutas levam os clientes) e a Inspeção Tributária.

A Mouraria é um bairro central em Lisboa onde se concentram imigrantes. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, dos seus 15 mil habitantes, 11 mil não são portugueses, com grandes comunidades de chineses, indianos, paquistaneses, africanos e brasileiros.

Em relação aos estrangeiros, foram colocados três furgões, onde foi realizado todo o processo administrativo.

Caso não tivessem os documentos em ordem, os estrangeiros recebiam ali mesmo a intimação para deixar o país no prazo de 20 dias.

Os dados oficiais sobre o total de pessoas abordadas ainda não foi divulgado. Um inspetor do Serviço de Estrangeiros estimou que cerca de 150 estrangeiros foram identificados.

Perto de 50 receberam ordem para regularizar sua situação em 20 dias ou partir.

Pego como ilegal, o goiano Kleverson Gomes, de 22 anos, disse que ia conseguir se legalizar. "Eu estava andando na praça do Martim Moniz quando fecharam a rua e pediram os documentos", contou.

Foi a primeira vez que Kleverson, que trabalha numa loja chinesa como vendedor, foi apanhado pelo Serviço de Estrangeiros.

"No ano passado eles também estiveram por aqui, mas a gente conseguiu sair. Este ano não deu."
Com o segundo grau completo tirado no Brasil, ele está em Portugal há um ano e meio.

"Eu vim com planos de comprar uma casa, um carro e construir uma coisa para mim, uma loja em Goiânia".

Sua meta é ficar em Portugal até o fim deste ano: "Já deu para guardar algum dinheiro."
O consulado do Brasil informa que não pode fazer nada pelos brasileiros que foram mandados de volta.

"Não podemos fazer nada junto ao Serviço de Estrangeiros, Se uma pessoa está ilegal, não é um ato arbitrário, assim como o Brasil pode fazer o mesmo com os estrangeiros numa situação semelhante. A pessoa sabia que estava ilegal e desafiou a lei", afirma o conselheiro Marcelo Novaes.

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