Blair vê possibilidade de acordo entre israelenses e palestinos em 2009

Londres, 18 jun (EFE).- O enviado especial do Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU) ao Oriente Médio e ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, acredita que poderia haver um acordo de paz entre israelenses e palestinos neste ano, se as partes se comprometerem a abrir uma negociação política tendo em mente a existência dos dois Estados.

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"Se todo mundo se comprometesse com uma negociação de paz política, pensando em uma solução para os dois Estados, poderíamos ter este acordo ainda este ano", afirmou Blair, em declarações dadas ao canal em inglês da emissora "Al Jazira", em entrevista que será transmitida na íntegra, na sexta-feira às 16h (horário de Brasília).

O enviado do Quarteto considera que o novo impulso à iniciativa de paz para a região dado pelo presidente americano, Barack Obama, criou o ambiente propício para o êxito destas negociações e que o que Obama necessita agora são "apoios e não animadores".

Blair se referiu ao discurso feito pelo presidente americano no Cairo, no dia 4 de junho, em sua viagem pelo Oriente Médio, como "um momento vital para a região e para o mundo em geral", e ressaltou a sensação de "esperança e expectativa" que o discurso gerou na comunidade internacional.

A partir de agora, "o fundamental é que Obama consiga encontrar a resposta e o compromisso entre as partes, disse Blair". "Se o presidente Obama encontrar o parceiro adequado, no lado israelense e também no palestino, terá a determinação para conseguir um acordo de paz. Não há mais a mínima dúvida".

"Falei com ele pessoalmente, cara a cara, em muitas ocasiões. Não tenho nenhuma dúvida de sua sinceridade ou de sua determinação", afirmou o ex-líder britânico.

Blair também considera positivo o recente discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no qual pela primeira vez falou da possibilidade da existência de um Estado palestino, mas reconhece o ceticismo gerado nos países árabes pela exigência que esse Estado não tenha Forças Armadas.

"De fora, verão com ceticismo, com cinismo e com preocupação", explica o enviado especial do Quarteto, que destaca, no entanto, que o discurso de Netanyahu é, de alguma maneira, um passo adiante.

"Temos que esperar e ver que é o que acontece", afirmou.

Para Blair, será fundamental estabelecer negociações políticas com o objetivo de melhorar as condições de vida dos palestinos e levar em conta que não haverá acordo de paz se eles forem retirados de Gaza, território controlado pelo Hamas.

O ex-primeiro-ministro britânico negou que tenham cortado a comunicação com o movimento de resistência islâmica e assegura que mantém o contato através do Governo egípcio, por causa da política do Quarteto de não falar diretamente com o Hamas.

"O problema é que as pessoas têm que tomar decisões. O Hamas, Israel e nós mesmos temos que adotar medidas decisivas e mudar a situação pensando no povo de Gaza, porque são eles que estão sofrendo", afirmou. EFE fpb/pd

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