Blair privilegiou a diplomacia no Iraque, diz ex-conselheiro

O ex-conselheiro em comunicação de Tony Blair, o controvertido Alastair Campbell, afirmou nesta terça-feira diante da comissão de investigação sobre a participação britânica da guerra no Iraque que o ex-primeiro-ministro defendeu a diplomacia até o fim.

AFP |

"Tony Blair pensou, até o voto sobre a participação do Reino Unido em uma ação militar na Câmara dos Comuns, que o conflito poderia ser resolvido pacificamente", declarou Campbell. Os deputados britânicos votaram em favor da ação militar no dia 18 de março de 2003, e a operação militar foi lançada no dia 20.

Campbell é a primeira personalidade de peso a ser ouvida pela comissão liderada pelo ex-alto funcionário John Chilcot sobre as condições da entrada em guerra do Reino Unido.

Tony Blair deverá ser ouvido no fim deste mês, ou no início de fevereiro.

Campbell insistiu no fato de que Blair queria obter, através da ONU, o desmantelamento das armas de destruição em massa (ADM) que o Iraque era acusado de ter. "O primeiro-ministro disse claramente ao longo do processo que o desarmamento de Saddam Hussein deveria ser feit através das Nações Unidas", afirmou.

"No entanto, quando os franceses se retiraram (da iniciativa anglo-americana na ONU), a ação militar se tornou a única opção", destacou Campbell.

O ex-conselheiro negou que Blair tenha se comprometido com o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a contribuir para uma intervenção militar, durante o encontro entre os dois em Crawford, Texas, em abril de 2002, ao contrário do que afirmaram muitas pessoas que depuseram diante da comissão.

"A ideia de Tony Blair era que deveríamos estar ao lado dos americanos, mas isso não significa que tenha elaborado sua política para corresponder à deles", destacou Campbell.

"Não concordo com a análise de que houve uma modificação fundamental da posição política do primeiro-ministro em Crawford", afirmou, lembrando que Bush não falou em intervenção militar naquela reunião.

"Estou tentando explicar para vocês que Bush não disse a Blair: 'vem, Tony, vamos guerrear'. Não aconteceu desta forma", insistiu.

Com o tempo, porém, Blair passou a considerar que se Saddam Hussein se recusasse a destruir suas ADM, o conflito seria inevitável. "Ele não agiu segundo os desejos de George Bush. Ele estava convicto da necessidade de enfrentar o Iraque devido a atitude constantemente desafiadora deste país com relação às Nações Unidas", afirmou.

Alastair Campbell apresentou sua renúncia em agosto de 2003 depois de uma forte polêmica com a BBC, que o acusou de exagerar a ameaça iraquiana para justificar a entrada em guerra das tropas britânicas.

"Nunca pedi a John Scarlett (ex-chefe do MI6, os serviços de inteligência externa) reforçar, ir além das conclusões às quais tinha chegado", afirmou Campbell.

"Nunca ninguém do governo pediu aos serviços de inteligência modificarem tal ou tal elemento para corresponder a tal ou tal posição. Isso nunca ocorreu", garantiu o ex-conselheiro.

elm/yw

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