Blair pede a Netanyahu que não desista das negociações de paz

JERUSALÉM (Reuters) - O enviado ao Oriente Médio Tony Blair exortou nesta segunda-feira o primeiro-ministro de Israel a retomar as negociações para a formação de um Estado palestino, paralelamente com os esforços para fortalecer a economia da Cisjordânia e dar aos palestinos controle sobre uma parte maior de seu território. Blair se reuniu com o direitista Benjamin Netanyahu, que assumiu o cargo de premiê na semana passada, para apresentar em termos gerais como o chamado Quarteto de mediadores no Oriente Médio -- EUA, União Européia, Rússia e ONU -- gostariam de ver avançar o processo de paz, que se encontra parado.

Reuters |

"O clima é de grande ceticismo", disse Blair a jornalistas depois de conversar com Netanyahu.

Encarregado pelo Quarteto de liderar o esforço de promoção do desenvolvimento econômico na Cisjordânia ocupada, Blair disse que aumentar a liberdade de movimentos dos palestinos é fundamental para deitar os alicerces para a criação de um Estado.

Mas o ex-premiê britânico contou que disse a Netanyahu que "uma negociação política séria buscando uma solução de dois Estados" deveria ser conduzida "paralelamente" com isso.

Netanyahu não tem falado claramente sobre renovar as conversações sobre questões territoriais espinhosas, dizendo que sua prioridade é focar a criação de zonas de desenvolvimento e maneiras de abrir os postos e barreiras que dificultam os deslocamentos e o comércio na Cisjordânia.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores de Netanyahu, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, declarou que as negociações sobre fronteiras de um Estado palestino e sobre o destino de Jerusalém e dos refugiados palestinos, lançadas em novembro de 2007 numa conferência mediada pelos EUA em Annapolis, "não têm validade".

Mas, falando sobre o novo premiê de Israel, Blair disse: "Penso que ele compreende, sim, que, se for possível criar o contexto certo para a paz, a única paz duradoura pode ser baseada na solução de dois Estados".

Blair disse que falou a Netanyahu que, além de melhorar as condições econômicas na Cisjordânia, é essencial que as forças de segurança do presidente palestino Mahmoud Abbas, apoiado pelo Ocidente, progressivamente "assumam o controle de seu próprio território".

Blair também exortou Netanyahu a afrouxar o bloqueio israelense da Faixa de Gaza, cujo controle foi tomado pelo Hamas em junho de 2007, depois de expulsarem do território as forças leais ao Fatah, de Abbas.

Assessores disseram que Blair viu a decisão tomada por Israel no ano passado de conceder às forças de segurança de Abbas (treinadas pelos EUA) maior controle sobre a cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia, como exemplo que poderia ser seguido em outras partes do território.

A administração do presidente Barack Obama pretende ampliar seu programa de treinamento das forças de Abbas. Falando na Turquia nesta segunda-feira, Obama disse que Washington "apoia com força a meta de dois Estados convivendo lado a lado em paz e segurança".

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