Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - O enviado da comunidade internacional para o Oriente Médio, Tony Blair, apresentou a Israel uma lista de bloqueios rodoviários que precisam ser suspensos para que haja chance de sucesso no processo de paz com os palestinos, segundo autoridades que tiveram acesso ao documento.

Blair se encontrou na segunda-feira com o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak. Depois do encontrou, Israel desativou um posto rodoviário que fica entre a cidade de Nablus e dezenas de aldeias do norte da Cisjordânia. Palestinos da região diziam que esse bloqueio provoca engarrafamentos e dificulta o comércio.

Uma porta-voz militar disse que a decisão foi tomada após uma avaliação de segurança, mas que o posto de controle pode ser reaberto no futuro caso Israel considere que militantes palestinos estão usando a estrada.

Um assessor de Blair elogiou Barak pela decisão de retirar o bloqueio rodoviário, mas evitou fazer comentários sobre a lista.

Autoridades disseram à Reuters, sob anonimato, que Blair pediu a retirada, por exemplo, de um bloqueio perto do assentamento judaico de Beit El, o que complica o acesso à cidade de Ramallah, sede do governo palestino.

É a primeira vez que o ex-premiê britânico tem esse tipo de iniciativa desde que foi investido do papel de enviado diplomático, em junho. Tentativas anteriores feitas por outros canais mostraram-se infrutíferas.

O Banco Mundial disse nesta semana que, por causa das restrições israelenses, a renda per capita dos palestinos vai ficar estagnada ou cair em 2008, apesar da ajuda de 7,7 bilhões de dólares prometida para eles em dezembro.

Barak tradicionalmente alega que os postos de controle nas estradas são importantes para restringir os movimentos dos militantes.

Os palestinos dizem que essas centenas de bloqueios são uma forma de punição coletiva que prejudica a economia e afeta o apoio popular ao presidente Mahmoud Abbas, que governa apenas a Cisjordânia e é o parceiro de Israel no processo de paz retomado em novembro -- ao contrário do grupo islâmico Hamas, que domina a Faixa de Gaza e não participa de negociações.

A poucas semanas de uma nova visita à região do presidente dos EUA, George W. Bush, cresce a pressão para que Israel atenue as restrições aos palestinos, como forma de fortalecer Abbas politicamente.

Israel mantém as restrições na Cisjordânia e ainda reforça o bloqueio econômico e militar à Faixa de Gaza, como forma de pressão sobre o Hamas.

Recentemente, depois de uma visita da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, Israel anunciou a intenção de retirar 61 barreiras da Cisjordânia. Mas uma pesquisa subsequente da ONU mostrou que 17 desses obstáculos -- justamente os mais significativos -- permaneciam.

(Reportagem adicional de Avida Landau, em Jerusalém, e Atef Sa'ad, em Nablus)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.