Blair é alvo de críticas após revelar motivações para guerra no Iraque

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair está sendo alvo de críticas após ter dito que teria prosseguido com a guerra do Iraque em 2003 mesmo sem evidências de que o país, então governado por Saddam Hussein, possuísse armas de destruição em massa - conclusão que até hoje é questionada. O ex-premiê disse ainda que, se não fosse o argumento do perigo bélico, ele utilizaria outros para justificar o combate à ameaça que Saddam representava para o Oriente Médio.

BBC Brasil |

As declarações foram dadas pelo ex-premiê em uma entrevista exclusiva que a BBC transmitirá na manhã deste domingo na Grã-Bretanha e antecipadas pela própria BBC neste sábado.

Após a revelação, parlamentares britânicos, ativistas e outras autoridades vieram a público para dizer que Blair enganou o Parlamento e "talhou seus argumentos para se adequar às circunstâncias".

Blix
Uma das reações mais negativas partiu do então chefe dos inspetores nucleares da ONU no Iraque, Hans Blix, que disse que Blair usou as armas de destruição em massa como uma "justificativa conveniente" para a guerra.

"A retirada de Saddam do poder foi um ganho, mas foi o único ganho que eu vi ocorrer nesta guerra", afirmou Blix.

Para ele, faltou "sinceridade" a Blair.

Blix afirmou ainda que, antes da guerra, os inspetores de armas estavam "muito perto" de mostrar que, após 700 inspeções, não havia armas de destruição em massa.

Investigação
Os fatos que antecederam à guerra do Iraque voltaram ao centro do debate na Grã-Bretanha porque estão sendo alvo de uma investigação por parte de uma comissão parlamentar. O próprio Tony Blair deve dar seu depoimento aos parlamentares no ano que vem.

O conservador Richard Ottoway, membro da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento, disse que as declarações de Blair são uma "tática cínica para amaciar a opinião pública" antes da investigação.

Segundo Ottoway, vários parlamentares poderiam ter tido outra opinião sobre a adesão da Grã-Bretanha à guerra, caso "soubessem da verdade total e não maquiada".

Carol Turner, da Coalizão Stop the War, disse ser "extraordinário" o fato de Blair admitir que estava disposto a modificar seus argumentos de acordo com as circunstâncias.

"Não é para aplaudirmos a honestidade que ele está tendo agora, mas sim para atacarmos sua falta de honestidade e de integridade naquela época", disse.

Com a invasão do Iraque, Blair se tornou um aliado crucial do presidente americano, George W. Bush.

Em setembro de 2002, seis meses antes da invasão, o governo britânico publicou um dossiê no qual afirmava ter evidências de que Saddam Hussein era capaz de usar armas de destruição em massa em 45 minutos contados a partir de uma ordem de Saddam.

Depois descobriu-se que o documento era infundado, o que lançou em descrédito todos os argumentos a respeito das reais motivações da guerra.

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