Blair diz que tomou decisão certa em derrubar Saddam

Londres, 29 jan (EFE).- O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair insistiu hoje em que tomou a decisão correta ao autorizar a invasão ao Iraque para derrubar o presidente Saddam Hussein, apesar das supostas armas de destruição em massa nunca terem sido encontradas.

EFE |

Ao prestar declaração, em Londres, ao comitê que investiga a guerra no Iraque, Blair disse que, após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, ele estimou que não podia assumir o risco de que Saddam pudesse reconstruir seu programa de armas.

Em última instância, acrescentou o ex-chefe de Governo, tratava-se de fazer um juízo de valor e tomar uma decisão.

"A decisão que eu tomei, e francamente tomaria outra vez, foi que, se havia alguma possibilidade de que ele pudesse desenvolver armas de destruição em massa, devíamos detê-lo. Esse foi meu ponto de vista então, e é meu ponto de vista agora", disse Blair, que terminou a declaração da sessão matinal e voltará a declarar à tarde, a partir das 12h de Brasília e até as 15h de Brasília.

Ao apresentar seus argumentos sobre as razões que o levaram a apoiar a invasão iraquiana, Blair disse que a maior parte da atual desestabilização no Oriente Médio procede do Irã.

Blair expressou também sua preocupação com os vínculos de países com regimes totalitários que têm armas de destruição em massa e os grupos terroristas, e citou o Irã como exemplo.

Também deu como exemplo a situação no Iêmen, Afeganistão e Somália, e manifestou seu temor pelos "fortes laços" entre as organizações terroristas e os Estados que as apoiam.

Disse que há um perigo de que Estados "altamente repressivos" possam construir "todo tipo de aliança".

Entre outros, o ex-premiê disse que não houve nenhum acordo "encoberto" com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, quando os dois se encontraram no rancho do então líder americano, no Texas, em abril de 2002, 11 meses antes da invasão ao Iraque.

Blair, principal responsável de colocar o Reino Unido no conflito bélico iraquiano, deve responder durante seis horas às perguntas do comitê independente que investiga as circunstâncias da guerra.

Diante deste comitê, já declararam testemunhas importantes da intervenção armada (2003), entre eles os então ministros de Assuntos Exteriores e Defesa, Jack Straw e Geoff Hoon, respectivamente, e o ex-procurador-geral britânico Peter Goldsmith. EFE vg/an

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