Londres, 29 jan (EFE).- O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair afirmou hoje, ao declarar, em Londres, perante o comitê que investiga a guerra no Iraque, que a maior parte da atual desestabilização no Oriente Médio procede do Irã.

Blair expressou também sua preocupação com os vínculos de países totalitários e que têm armas de destruição em massa com os grupos terroristas, e citou o Irã como exemplo.

Também deu como exemplo a situação no Iêmen, Afeganistão e Somália, e manifestou seu temor pelos "fortes laços" entre as organizações terroristas e os Estados que as apoiam.

Blair fez esta referência ao apresentar seus diferentes argumentos sobre as razões que o levaram a apoiar os Estados Unidos na invasão ao Iraque, em março de 2003.

Ao ser perguntado por que, naquela época, tinha se concentrado no Iraque, e não no Irã, Blair afirmou que "nos concentramos no Iraque porque tinha violado as resoluções das Nações Unidas" e "tinha utilizado armas de destruição em massa" na guerra com o Irã.

Antes, o ex-primeiro-ministro disse que o "cálculo do risco" representado por Saddam Hussein havia mudado com os ataques terroristas contra os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

"O cálculo de risco mudou com os ataques nos EUA nos quais morreram mais de 3 mil pessoas. Se essa gente, inspirada por fanatismos religiosos, tivesse conseguido matar 30 mil, teriam feito, então cheguei à conclusão de que não se podia assumir riscos neste assunto", afirmou.

Blair, principal responsável de colocar o Reino Unido no conflito bélico iraquiano, deve responder durante seis horas às perguntas do comitê independente que investiga as circunstâncias da guerra.

Diante deste comitê, já declararam testemunhas importantes da intervenção armada (2003), entre eles os então ministros de Assuntos Exteriores e Defesa, Jack Straw e Geoff Hoon, respectivamente, e o ex-procurador-geral britânico Peter Goldsmith. EFE vg/an

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