Blair depõe sobre participação britânica na guerra do Iraque

Comissão responsável por inquérito pede que ex-premiê da Grã-Bretanha esclareça dúvidas sobre depoimento anterior

iG São Paulo |

O ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha Tony Blair presta nesta sexta-feira um novo depoimento em um inquérito sobre a participação britânica na guerra do Iraque. O objetivo é esclarecer dúvidas da comissão responsável pelo inquérito sobre o depoimento anterior do ex-premiê, feito em janeiro de 2010.

Na época, Blair afirmou que não se arrependia de ter ajudado os EUA a derrubar o governo de Saddam Hussein e que tomaria novamente a decisão de enviar tropas ao país porque considerava a ação necessária para combater a ameaça terrorista.

No depoimento desta sexta-feira, Blair voltou a defender a ação e disse que os ataque de 11 de Setembro criaram um novo tipo de terrorismo.

"A maior dificuldade que temos de encarar hoje - e ainda temos de encarar - é o risco desse novo tipo de terrorismo e extremismo baseado em uma perversão ideológica da fé islâmica, combinada à tecnologia que permite a eles matar um grande número de pessoas", afirmou. "Embora muita gente acredite ser possível lidar com esse tipo de extremismo, não penso que isso é verdade. Acho que (o extremismo) deve ser confrontado e alterado."

Antes de seu depoimento, Blair enviou uma carta à comissão responsável pelo inquérito, na qual admite ter ignorado as advertências do procurador-geral do Reino Unido sobre a ilegalidade de invadir o Iraque sem o respaldo da ONU. Segundo Blair, o conselho era "provisório".

A advertência do procurador-geral Peter Goldsmith foi feita em janeiro de 2003. Na carta, Blair afirmou que, naquele momento, "ainda não tinha pedido assessoria legal formalmente, nem Goldsmith tinha chegado ao ponto de dá-la".

Enquanto Blair depõe no centro de confêrencias Rainha Elizabeth 2a, no centro de Londres, cerca de 100 manifestantes protestam contra ele do lado de fora do prédio. Alguns seguram cartazes que chamam o ex-premiê de "mentiroso" e "criminoso de guerra".

Testemunhas ouvidas anteriormente pela investigação, aberta em julho de 2009, insistem que os serviços de segurança britânicos não tinham encontrado provas de que Saddam Hussein tinha qualquer ligação com a Al-Qaeda.

O inquérito está analisando o período entre 2001 e 2009, observando três pontos principais: a justificativa para a entrada no conflito, a preparação para a invasão do Iraque e as deficiências no planejamento para a reconstrução do país asiático.

O júri, presidido por John Chilcot, não vai estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, mas apenas emitir advertências e recomendações, para evitar que eventuais erros cometidos no episódio sejam repetidos no futuro. O relatório final será debatido no Parlamento.

Com BBC e informações do "The New York Times"

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