Blair apresenta pacote de iniciativas para estimular a economia palestina

Nações Unidas, 13 mai (EFE).- O enviado do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, apresentou hoje um pacote de medidas firmado com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Israel para estimular a economia dos territórios ocupados e facilitar a criação de um futuro Estado palestino.

EFE |

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido apresentou em comunicado à imprensa estas propostas com as atuais negociações de paz entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

O pacote contém ações consideradas por Blair como os quatro aspectos fundamentais para criar um futuro Estado palestino.

São eles: o desenvolvimento econômico e social dos territórios, a eliminação de restrições ao movimento em seu interior, a transferência das responsabilidades de segurança aos palestinos e o desenvolvimento da chamada área C da Cisjordânia que continua sob total controle israelense.

"Para que o Estado palestino seja possível, do ponto de vista dos palestinos deve existir a esperança de que, com o tempo, a ocupação terminará", explica Blair no comunicado.

No entanto, "para que o Estado palestino seja possível, do ponto de vista dos israelenses, deve existir a esperança de que, com o tempo, a segurança de Israel melhorará e não serão prejudicados pela maneira com que os palestinos governarão seu território".

As medidas incluem a eliminação ou flexibilização de 11 postos de controle e fortalezas "chaves" na Cisjordânia para facilitar particularmente a movimentação de norte a sul, e de leste a oeste do território.

Blair afirma que os israelenses estão dispostos a implementar gradualmente estas mudanças condicionadas "à situação de segurança".

Entre as propostas econômicas se destaca a iniciativa de um parque industrial em Jenin, o acesso a novas freqüências telefônicas e projetos de melhora da infra-estrutura turística de Belém.

Além disso, o pacote inclui a concessão de cinco mil permissões adicionais para palestinos que queiram trabalhar em Israel e a construção de novas infra-estruturas sanitárias na Cisjordânia e em Gaza.

Outro grupo de medidas se destina à área C da Cisjordânia, onde vivem 70 mil palestinos.

A área C, que representaria cerca de 60% da Cisjordânia - ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias de 1967 -, permanece sob controle absoluto israelense, tanto no âmbito civil como militar, em virtude da divisão dos territórios palestinos projetada nos Acordos de Oslo de 1993.

As medidas propostas pelo enviado do Quarteto facilitam a renovação e construção de infra-estruturas como escolas e clínicas em 14 localidades palestinas da área C.

O pacote também contempla uma maior divisão das responsabilidades de segurança de Israel às instituições palestinas na zona de Jenin mediante "acordos únicos e diferentes" que ainda estão sendo discutidos.

Blair reconhece que o conteúdo do pacote se centra na Cisjordânia e quase não inclui propostas para Gaza, que desde o ano passado se encontra sob o controle do Hamas.

Ele assegura que existem "as mesmas oportunidades de melhorar a vida dos cidadãos de Gaza" que a dos da Cisjordânia, mas que seu início dependerá da recuperação do controle do território pela ANP.

"Se este pacote funcionar, outros virão em seguida, e desta maneira, com o tempo, poderia ser reduzido o peso da ocupação de uma maneira que não se coloque em risco a segurança de Israel", acrescenta.

A construção das bases sobre as quais será edificado um futuro Estado palestino é uma das prioridades que os integrantes do Quarteto, formado por Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia, atribuíram ao ex-primeiro-ministro do Reino Unido quando o nomearam seu enviado em junho de 2007. EFE jju/bm/fb

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