Blackwater levou presos de Guantánamo para Ásia por ordem da CIA (imprensa)

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) ordenou que agentes da empresa de segurança privada Blackwater transportassem de forma clandestina detentos de Guantánamo para prisões secretas na Ásia para interrogá-los, afirma a revista alemã Der Spiegel.

AFP |

A revista cita um documento redigido por dois ex-funcionários da Blackwater, cujas identidades não foram reveladas.

De acordo com o documento, a CIA encarregou a "Blackwater e suas filiais" de transportar discretamente detidos de Guantánamo para "campos de detenção secretos no Paquistão, Afeganistão e Uzbequistão, para interrogatórios".

Além disso, o texto escrito por um dos ex-funcionários da companhia "identifica os voos e revela como foram ocultados", explica a Der Spiegel, na edição que chegará às bancas na segunda-feira.

A revista indica que um porta-voz da CIA apontou "erros" no documento.

Na última segunda-feira, a imprensa americana citou fontes da inteligência para informar que a CIA recrutou agentes da Blackwater para matar líderes da Al Qaeda. como parte de um programa secreto.

Pouco depois de saber deste programa, em junho, o atual diretor da CIA Leon Panetta, nomeado pelo presidente Barack Obama, mandou cancelá-lo e informou o Congresso a seu respeito, o que jamais havia sido feito.

O documento citado pela publicação alemã também afirma que "a CIA encarregou a Blackwater da missão de cometer atentados contra objetivos no Afeganistão", além de citar nomes de "várias pessoas envolvidas", entre eles o de um mercenário.

Os dois ex-funcionários acusam "o antigo número 3 da CIA, Alvin Bernard Krongard", de ter "montado as equipes" que deveriam participar do programa para matar líderes da Al Qaeda, acrescenta a Der Spiegel.

A revelação da existência de prisões secretas da CIA em países onde a tortura não é proibida, como Iraque e Afeganistão, provocaram protestos internacionais quando George W. Bush ainda era presidente dos Estados Unidos.

A Blackwater, que devido às polêmicas que provocou com sua violenta atuação no Iraque, foi rebatizada de Xe, é a principal das empresas privadas de segurança que prestam serviços ao governo dos Estados Unidos.

ak/ap

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