Assunção, 6 nov (EFE).- Os bispos católicos do Paraguai pediram hoje aos grupos organizados de denominados sem-terra -que se manifestam pelo terceiro dia consecutivo em Assunção por reformas e ameaçam invadir fazendas de brasileiros- que dêem tempo ao presidente Fernando Lugo para que ele responda às reivindicações.

"É necessário dar tempo a este Governo que está se iniciando e não pular as etapas para entrar em agressões", disse o bispo Adalberto Martínez, secretário-geral da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), durante o penúltimo dia da assembléia ordinária desse órgão eclesiástico, assistida por Lugo.

Martínez expressou-se nesses termos em alusão ao protesto iniciado na terça-feira pela Frente Social e Popular, aliado do presidente, do qual vários integrantes saíram feridos de um violento enfrentamento com policiais em frente à sede da Procuradoria em Assunção.

Esse grupo, integrado por organizações camponesas, civis e sindicais, exige do Governo, entre outras coisas, a reforma da Procuradoria e do Poder Judiciário, assim como uma reforma agrária.

"Necessitamos de paz e concórdia", assinalou o secretário-geral de CEP, organismo que criou uma comissão especial para analisar essa situação, assim como o conflito gerado perante o aumento das ameaças de invasões de fazendas no departamento (estado) de São Pedro, na região central do país.

Nessa região do país, vários grupos de denominados "sem-terra" permanecem acampados há várias semanas, em frente a fazendas dos produtores de soja mecanizada, principalmente de brasileiros, para exigir o acesso a terrenos.

Os grupos de "sem-terra", que se encontram mobilizados desde a posse do presidente Fernando Lugo, em 15 de agosto, acusam colonos brasileiros de comprar ou arrendar ilegalmente as fazendas e de depredar e poluir as florestas com os cultivos mecanizados como o da soja. EFE rg/jp

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