Dublin, 22 abr (EFE).- O bispo irlandês James Moriarty, cuja renúncia foi aceita hoje pelo papa Bento XVI, pediu perdão por não ter impedido a cultura de ocultação de abusos sexuais cometidos por padres contra menores durante décadas na arquidiocese de Dublin.

Moriarty, bispo de Kildare e Leighlin, apresentou sua renúncia no dia 23 de dezembro, depois da publicação do chamado relatório Murphy, que revelou a conivência da Igreja Católica irlandesa com o Estado para esconder centenas de casos de abusos sexuais.

"A decisão de apresentar minha renúncia foi a mais difícil. (...) Não tinha previsto renunciar quando li o relatório Murphy pela primeira vez, porque não me criticava diretamente", disse hoje, em comunicado, o então bispo auxiliar de Dublin.

Moriarty também reconheceu que já era parte dos órgãos do Governo da arquidiocese da capital irlandesa quando começaram a introduzir protocolos de atuação para abordar casos de abusos sexuais.

"Novamente, aceito que, desde o momento em que me tornei bispo auxiliar, deveria ter confrontado a cultura que prevalecia. Mais uma vez, peço perdão a todos" os afetados e suas famílias. "Sei que as palavras de desculpa não são suficientes", conclui a nota.

Por sua parte, o primaz da Igreja Católica irlandesa, o cardeal Sean Brady, agradeceu hoje pela contribuição do prelado demissionário na Conferência Episcopal.

"Sentiremos falta da visão e inovador enfoque do bispo Moriarty em seu trabalho na Conferência Episcopal, assim como sua grande experiência e sabedoria pastoral", disse Brady, em comunicado.

Moriarty é um dos três prelados que renunciaram nos últimos meses, depois da divulgação dos dois relatórios oficiais irlandeses, que revelaram que, durante 70 anos, centenas de crianças irlandesas sofreram abusos sexuais por parte de sacerdotes, sobretudo na arquidiocese de Dublin, de 1975 a 2004. EFE ja/pd

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