Roma, 23 jan (EFE).- O bispo de Verona, Giuseppe Zenti, negou hoje a veracidade da denúncia de abusos sexuais feita por antigos alunos surdos de um colégio religioso nesta cidade do norte da Itália à revista italiana LEspresso e afirmou que tais acusações respondem a interesses econômicos.

"É uma teoria sem fundamento, fabricada para conseguir os bens da congregação" religiosa do colégio Antonio Provolo, especializado em meninos e meninas surdos e mudos, disse Zenti, durante uma entrevista coletiva em Verona.

Ontem, a revista antecipou a matéria na qual 67 ex-alunos surdos do colégio afirmam ter sofrido abusos sexuais por 25 sacerdotes durante três décadas, até 1984.

Esses antigos alunos, hoje com idades entre 40 e 70 anos, reuniram-se na Associação de surdos do Antonio Provolo.

Segundo Zenti, o presidente da associação, Giorgio Gadanha Bernardina, ameaçou os membros da congregação de que iria acusá-los de pedofilia se não lhes dessem parte de seus bens.

"Peço provas, não contos inverossímeis. São banalidades construídas por mentes aberrantes e mais aberrante é que Gadanha Bernardina manipule esses surdos-mudos", disse o bispo de Verona.

Zenti pediu à associação de antigos alunos que retire as acusações, dizendo que, caso contrário, está disposto a acioná-los na Justiça.

"Não temos nenhum medo de que se averigue", comentou o religioso, afirmando que todas as acusações e os testemunhos -inclusive cartas enviadas às autoridades eclesiásticas de Verona- publicadas no "L'Espresso" não são mais do que "mentiras".

Em um dessas cartas pode se ler que "na sala estabelecida como confessionário da igreja de Santa Maria do Pranto do Instituto Provolo alguns sacerdotes aproveitavam para fazer-se masturbar e tocar ao mesmo tempo por meninas surdas (a porta estava nesses momentos sempre fechada)".

"As relações sodomitas aconteciam no dormitório, nos quartos dos sacerdotes e nos banheiros", prossegue o texto antecipado nesta quinta-feira pelo jornal "La Reppublica" em seu site e que é assinado por 67 ex-alunos do Antonio Provolo.

"É uma coisa perversa acusar o monsenhor Giuseppe Carraro (bispo de Verona de 1958 a 1978), para o qual foi iniciado o processo de beatificação, dizendo que uma criança foi abusada aqui e que no salão do Episcopado, onde estou falando", afirmou Zenti.

Atualmente, diz a "L'Espresso", o colégio Antonio Provolo está administrado por mãos laicas, mas alguns daqueles sacerdotes acusados pelos 67 ex-alunos ainda continuam trabalhando ali. EFE mcs/jp

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