Bispo de Aparecida é nomeado cardeal por papa Bento 16

Em cerimônia solene realizada na basílica de São Pedro do Vaticano, pontífice entregou o capelo cardinalício a 24 novos cardeais

EFE |

O papa Bento XVI celebrou neste sábado o terceiro consistório de seu Pontificado, no qual nomeou 24 novos cardeais, advertindo-lhes que, na Igreja, "ninguém é dono" e que, quem quer "ser grande e o primeiro", será "escravo de todos, servo de todos".

Em cerimônia solene realizada na basílica de São Pedro do Vaticano, especialmente iluminada para a ocasião, o Pontífice entregou o capelo cardinalício aos 24 novos cardeais, entre eles o brasileiro dom Raymundo Damasceno Assis, de 73 anos, arcebispo de Aparecida.

Compareceram à cerimônia 150 cardeais de todo o mundo, bem como 7 mil fiéis e representantes oficiais dos países de origem dos novos cardeais. Bento XVI destacou na homilia que os novos cardeais procedem de todos os cantos do mundo e lhes pediu "humildade" e que estejam dispostos a dar o sangue por Cristo.

Associated Press
Papa Bento 16 nomeia cardeais durante solenidade na Basílica de São Pedro, no Vaticano

"Na Igreja, ninguém é dono, patrão. Todos são convidados, todos são enviados e todos são guiados pela Graça Divina. Somente voltando à vocação originária é possível entender a missão na Igreja como autênticos discípulos", declarou o papa.

Nas palavras de Bento XVI, o critério de grandeza e de primazia para Deus não é "dominar e oprimir", pois isso, segundo o papa, é um "risco assumido pelos considerados governantes das nações". "Jesus indica a seus apóstolos um caminho totalmente diferente, outro modelo. Quem quer ser grande entre vós, será vosso servo e quem quer ser o primeiro entre vós, será escravo de todos", acrescentou o Pontífice. Para ele, é fundamental servir, não oprimir.

"Não é a lógica do domínio, do poder segundo os critérios humanos, mas a lógica de se curvar para lavar os pés, a lógica do serviço, da cruz. Em todos os tempos, a Igreja está comprometida a testemunhar o verdadeiro amor de Deus".

Em nome dos 24 cardeais, quem respondeu ao papa foi o italiano Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos no Vaticano.

Ele expressou gratidão e fidelidade de todos e disse que, apesar das dificuldades, desafios e perseguições, a Igreja não para de proclamar todos os dias o amor de Deus pelos homens. Amato afirmou que os cardeais estão dispostos ao "extremo testemunho".

Ele lembrou que a cor do cardinalato, o vermelho, simboliza a disponibilidade de dar até a última gota do sangue pela causa de Deus. Após a homilia, Bento XVI entregou os capelos aos novos cardeais, primeiro dos dois símbolos do cardinalato.

Neste domingo, o papa irá celebrar a segunda etapa da proclamação dos hierarcas católicos, quando lhes entregará o anel, o outro símbolo. Dos 24 cardeais, 15 são europeus - dez italianos, dois alemães, um espanhol, um suíço e um polonês -, dois latino-americanos - o brasileiro e um equatoriano -, dois americanos, quatro africanos e um asiático.

Com essa disposição, o papa quis que cada sede estivesse representada em um eventual Conclave. Por isso, os arcebispos de Toledo e Sevilha (Espanha), Nova York, Rio de Janeiro, Baltimore, Bruxelas, Praga, Utrecht, Turim e Florença terão de esperar por outro consistório, já que os cardeais destas cidades ainda têm menos de 80 anos.

Após as novas nomeações, o Colégio Cardinalício - conhecido como o clube mais seleto do mundo - fica composto por 203 cardeais, dos quais 121 podem participar de um Conclave por terem menos de 80 anos. Nascido no interior de Minas Gerais em 1937, dom Raymundo Damasceno Assis foi ordenado padre da Igreja Católica no ano de 1968.

Em 1986, foi nomeado bispo auxiliar de Brasília. Desde 2004, ele ocupa o arcebispado de Aparecida, um dos santuários católicos mais importantes do Brasil.

    Leia tudo sobre: papanomeaçãocardeaisdom Raymundo Damasceno Assis

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG