Bispo britânico que negou o Holocausto se desculpa

LONDRES (Reuters) - Um bispo que provocou polêmica por negar a ocorrência do Holocausto pediu desculpas em declarações divulgadas na quinta-feira por uma agência católica de notícias. O britânico Richard Williamson provocou ultraje ao dizer que não existiam câmaras de gás nos campos de concentração nazistas e que os judeus mortos no Holocausto não passaram de 300 mil - e não os 6 milhões citados pelos historiadores.

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"Posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito tais comentários, e que se eu soubesse de antemão o total dano e dor que eles provocariam, especialmente à Igreja, mas também aos sobreviventes e parentes de vítimas das injustiças do Terceiro Reich, eu não os teria feito", disse Williamson, segundo o site da agência Zenit.

O pedido de desculpas, de acordo com o texto, foi entregue à comissão "Ecclesia Dei", criada em 1988 pelo papa João Paulo 2o para tentar trazer dissidentes tradicionalistas como Williamson de volta à Igreja.

O bispo, que pertence à seita tradicionalista chamada Sociedade de São Pio 10o, foi excomungado depois de ter sido ordenado em uma cerimônia não-autorizada, 20 anos atrás.

No mês passado, o papa Bento 16 suspendeu a excomunhão de Williamson e de três outros tradicionalistas, num esforço para curar um cisma que já dura duas décadas. A medida irritou líderes judaicos e muitos católicos.

Williamson, que passou a maior parte dos últimos 30 anos na Suíça e nos EUA, antes de assumir a direção de um seminário em Buenos Aires, foi expulso da Argentina na semana passada e voltou à Grã-Bretanha.

Na declaração divulgada pela Zenit, Williamson afirmou que suas opiniões sobre o Holocausto não têm o valor das de um historiador, e "foram formadas há 20 anos, sobre o corpo de evidências então disponível, e raramente foram expressas em público desde então".

"A todas as almas que honestamente se escandalizaram com o que eu disse, diante de Deus eu peço desculpas", disse ele, sem no entanto explicar se mudara de opinião.

(Reportagem de Catherine Bosley em Londres e Phil Stewart e Philip Pullella em Roma)

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