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Biografia de Ingrid Betancourt Pulecio, analista política e ex-refém das Farc

Bogotá, 2 jul (EFE).- Ingrid Betancourt Pulecio, ex-candidata à Presidência colombiana seqüestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 23 de fevereiro de 2002, foi resgatada hoje pelo Exército em uma operação na qual também foram libertados três americanos e 11 militares e policiais.

EFE |

Betancourt nasceu em 25 de dezembro de 1961, em Bogotá, no seio de uma família de tradição política. É filha de Gabriel Betancourt Mejía, ex-ministro da Educação e ex-consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), já falecido.

A mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, é ex-congressista e ex-embaixadora na Guatemala - ficou muito conhecida também por seu trabalho em favor da infância e da juventude.

Ingrid Betancourt se graduou no Instituto de Ciências Políticas de Paris. É analista política, especializada em comércio exterior e relações internacionais.

Após residir vários anos na França, em 1990 retornou à Colômbia, onde trabalhou como assessora do ministério da Fazenda e do Crédito Público, e depois do Ministério de Comércio Exterior.

Sua carreira política começou em 1994, ao ser escolhida representante na Câmara de Vereadores de Bogotá pelo Partido Liberal. No entanto, empreendeu várias ações de denúncia de corrupção e se distinguiu por sua ferrenha oposição ao então presidente Ernesto Samper, de sua mesma legenda.

Nesse mesmo ano formou com os parlamentares María Paulina Espinosa, Carlos Alonso Lúcio e Guillermo Martinezguerra o chamado grupo "Os Mosqueteiros", que denunciou supostas irregularidades na compra de fuzis junto ao Governo de Israel.

Em 1996, empreendeu uma campanha de denúncias contra suposto financiamento da campanha eleitoral do presidente Samper com dinheiro procedente do narcotráfico.

Em fevereiro, realizou uma greve de fome de duas semanas, e no mês seguinte pediu ao Partido Liberal que expulsasse Samper de suas fileiras.

Betancourt acusou o então presidente de ter violado o Código de Ética do partido ao ultrapassar o valor máximo de gastos autorizado pelos organismos eleitorais.

Durante o julgamento no Congresso, em junho de 1996, o classificou como "delinqüente" por sua responsabilidade no financiamento de sua campanha presidencial com dinheiro do narcotráfico, acusação da qual o presidente foi liberado.

Em 1998, abandonou o Partido Liberal, e nas eleições de 8 de março desse ano foi escolhida senadora pela formação Oxigênio Verde, de cunho ecológico e por meio do qual conquistou sua cadeira parlamentar e se candidatou à Presidência colombiana.

Foi a candidata mais votada ao Senado, com 150 mil sufrágios.

Anos antes, no fim da década de 80, tinha se cansado da vida diplomática oferecida por seu primeiro marido, o francês Fabrice Delloye, pai de seus dois filhos, Melanie e Lorenzo.

Em março de 2001, publicou na França o livro "Com Raiva no Coração", que suscitou uma forte polêmica na Colômbia. Na obra, o Congresso do país é chamado de "ninho de narcotraficantes", e os políticos, de corruptos.

Em maio de 2001 renunciou a sua cadeira no Senado, classificando-o como "ninho de ratos", para apresentar sua candidatura às eleições presidenciais de maio de 2002 pelo movimento político Nova Colômbia.

Em 23 de fevereiro desse ano viajou, junto com sua vice-candidata, Clara Rojas, à região do Caquetá, onde foram seqüestradas por guerrilheiros das Farc.

O grupo guerrilheiro incluiu ambas na lista dos chamados "passíveis de troca", um grupo de reféns que a guerrilha pretende intercambiar por 500 rebeldes presos pelo Estado.

A guerrilha deu "provas de vida" de Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, em julho de 2002, e em agosto de 2003. Nas duas ocasiões, por meio de vídeos nos quais aparecia a refém.

Desde então, vários países europeus tentaram buscar uma solução para seu seqüestro, sobretudo Espanha, Suíça e França, onde houve uma importante mobilização social em favor de sua libertação.

Em agosto de 2007, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aceitou atuar como mediador entre o Governo colombiano e as Farc para a troca dos reféns.

Mas o líder colombiano, Álvaro Uribe, suspendeu essas gestões em novembro.

No dia 30 desse mês, o Governo colombiano divulgou novas provas de vida de vários seqüestrados, entre elas um vídeo no qual se via Betancourt acorrentada a uma cadeira, extremamente magra e com o olhar triste e perdido.

Em 25 de dezembro, e como presente por seu 46º aniversário, seu marido, Juan Carlos Lecompte, lançou sobre a selva colombiana cerca de 20 mil panfletos com fotografias recentes dos filhos de Betancourt, com a esperança de que pelo menos um deles chegasse às mãos de sua esposa.

Após declarações de seqüestrados libertados sobre o grave estado de saúde de Betancourt, em 27 de março de 2008 um defensor público colombiano confirmou a situação da ex-candidata, com leishmaniose e hepatite B.

Nesse mesmo dia, Uribe autorizou a libertação de rebeldes das Farc em troca da soltura de reféns.

Em abril de 2008, a França enviou uma missão médica à Colômbia para atender Betancourt - a missão acabou rejeitada pelas Farc.

Desde que foi seqüestrada, a ex-candidata foi nomeada cidadã de honra em mais de mil localidades de França, Itália e outros países.

Em 2004 foi postulada por intelectuais franceses ao prêmio Nobel da Paz; em 2004 e 2006 foi finalista do Prêmio Sakharov, concedido pelo Parlamento Europeu.

Casou-se em 1981 com o diplomata francês Fabrice Delloye, com quem teve dois filhos, Melanie e Lorenzo, e de quem se separou em 1990. Teve um segundo casamento com o publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte.

Um mês após o seqüestro de Betancourt, morreu seu pai, o ex-ministro colombiano Gabriel Betancourt Mejía. EFE doc/fr

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