Bin Laden tenta ofuscar visita de Obama ao O.Médio

Macarena Vidal. Riad, 3 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu hoje com o rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz no começo de uma viagem que tem o objetivo de fortalecer laços com o Oriente Médio e que o líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, tenta ofuscar.

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Em uma gravação divulgada pela rede de televisão "Al Jazira", a aparente voz de Bin Laden assegura que Obama mantém políticas similares às de seu antecessor, George W. Bush, e incita o ódio entre os muçulmanos.

Um dia antes de Bin Laden falar, o segundo na hierarquia da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, chamou Obama de "criminoso".

A gravação do líder da rede terrorista vem a público um dia antes de o presidente americano pronunciar na Universidade do Cairo seu esperado discurso ao mundo muçulmano, no qual vai expor como está a relação entre os EUA e o Islã e como acha que ela pode melhorar.

Nem Obama, nem o soberano saudita fizeram alusão à fita do suposto Bin Laden em suas breves declarações à imprensa após uma reunião de mais de uma hora na fazenda do monarca nos arredores de Riad.

Segundo Obama, "era muito importante vir a este país, onde começou o Islã, e discutir com Vossa Majestade muitos dos assuntos com que lidamos no Oriente Médio".

"Tenho confiança em que, colaborando, EUA e Arábia Saudita podem conseguir progressos em uma série de assuntos e interesses mútuos", afirmou o presidente americano, que já tinha se reunido há dois meses com o rei saudita em abril em Londres, durante a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, países ricos e principais emergentes).

Já o rei Abdullah ressaltou os laços "históricos e estratégicos" entre EUA e Arábia Saudita, que remontam ao mandato de Franklin Roosevelt e ao rei Abdulaziz, nos anos 30.

O soberano também elogiou o presidente americano, ao qual considerou como "um homem distinto que merece estar nesta posição".

Após a reunião bilateral na fazenda do monarca saudita, os dois chefes de Estado devem jantar juntos.

Segundo antecipou a Casa Branca, o presidente americano e o soberano saudita tinham previsto falar sobre o processo de paz no Oriente Médio, o programa nuclear iraniano e a alta dos preços do petróleo, entre outros assuntos.

A Arábia Saudita propôs um plano de paz para o Oriente Médio e ao mesmo tempo expressou sua preocupação de que o programa iraniano possa provocar uma corrida armamentista na região.

Obama, por sua vez, queria demonstrar ao rei Abdullah o interesse dos EUA em pôr fim a sua dependência do petróleo estrangeiro, mas deixou claro que isso não ocorrerá da noite para o dia.

O presidente americano chegou hoje a Riad e partirá amanhã cedo rumo ao Cairo para pronunciar seu discurso.

Diante das expectativas em relação às palavras de Obama, nas últimas horas, a Casa Branca tratou de controlar as esperanças sobre os resultados dessa fala.

Em entrevista concedida à emissora britânica de televisão "BBC", Obama afirmou que pretende "abrir um diálogo".

Já seu porta-voz, Robert Gibbs, afirmou ontem não esperar "que tudo vai mudar com um único discurso. Acho que um esforço sustentado será necessário e é isso que o presidente procura".

Desde sua chegada à Casa Branca, Obama, que já pronunciou um discurso no Parlamento turco e lançou uma mensagem de aproximação ao Irã, prometeu se esforçar para buscar uma aproximação com o mundo muçulmano e fazer da paz no Oriente Médio uma das prioridades de seu mandato.

Seus assessores indicaram que, apesar do que tinha sido ventilado nos países árabes, Obama não apresentará em seu discurso um plano de paz propriamente dito para o Oriente Médio.

Durante sua estadia no Cairo, o presidente dos EUA também deve se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, além de visitar uma mesquita e as pirâmides.

A viagem de Obama continuará na Alemanha, onde visitará o campo de concentração de Buchenwald e conversará com a chanceler alemã, Angela Merkel, e termina na França, onde participará das comemorações do 65º aniversário do Dia D e se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. EFE mv/bba

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