Objetivo era desatar crise nos EUA com ascensão de vice, visto por líder da Al-Qaeda como incapaz; segundo Washington, complô não representou ameaça séria

O fundador da rede terrorista Al-Qaeda , Osama bin Laden , planejava matar o presidente dos EUA Unidos, Barack Obama, que considerava "o líder dos infiéis", segundo informa nesta sexta-feira o jornal The Washington Post.

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Ao lado de seu vice, Joe Biden, Obama nomeou general David Petraeus (dir.) para comando das tropas no Afeganistão em junho de 2010. Atualmente Petraeus é diretor da CIA
Reuters
Ao lado de seu vice, Joe Biden, Obama nomeou general David Petraeus (dir.) para comando das tropas no Afeganistão em junho de 2010. Atualmente Petraeus é diretor da CIA
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O plano para assassinar Obama está descrito em documentos encontrados no complexo onde Bin Laden morava na localidade paquistanesa de Abbottabad , onde morreu em uma operação militar americana em maio. Segundo o jornal, Bin Laden ordenou organizar uma rede de células especiais no Afeganistão e Paquistão para atacar o avião do presidente Obama.

O objetivo era que o governo dos EUA passasse para as mãos do vice-presidente Joe Biden, que Bin Laden considerava pior preparado para a presidência, e assim provocar uma crise nos EUA, acrescentou a publicação, que teve acesso aos documentos por meio de um funcionário de alta escalão do governo Obama.

"Obama é o líder dos infiéis e, ao matá-lo, automaticamente farei com que Biden assuma a presidência. Biden (...) não está preparado plenamente para esse posto, o que levará os EUA a uma crise", explicou o líder da Al-Qaeda no documento escrito em árabe.

Bin Laden também se propunha a assassinar o general David Petraeus, atual responsável da CIA , mas que na época era o comandante das tropas dos EUA e da Otan no Afeganistão, por considerar que sua morte "poderia alterar o rumo da guerra" no país asiático.

Funcionários do governo americano asseguraram ao periódico que o complô contra Obama e Petraeus nunca foi uma ameaça séria. Além disso, consideraram que "a organização carece da capacidade para planejar, organizar e executar ataques complexos e catastróficos, embora persista a ameaça".

Em um documento de 48 páginas, Bin Laden fala de seu braço direito, Atiyah Abd al Rahman, que desejava encarregar da missão o terrorista paquistanês Ilyas Kashmiri , que morreu um mês após Bin Laden em um ataque americano com aviões não tripulados.

Bin Laden queria centrar os esforços da organização em atacar os EUA para deter o derramamento de "sangue muçulmano" e pediu a Atiyah que perguntasse "aos irmãos em todas as regiões se têm alguém que possa operar nos EUA,viver lá, ou que seja fácil para ele viajar para lá".

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