Bin Laden não estava armado durante ataque, diz Casa Branca

Segundo assessor de imprensa Jay Carney, forças americanas enfrentaram tiroteio durante os 40 minutos da operação no Paquistão

iG São Paulo |

O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , não estava armado quando forças especiais americanas invadiram a residência dele no Paquistão, mas resistiu antes de ser morto a tiros, afirmou Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, nesta terça-feira.

“Havia a preocupação de que Bin Laden fosse se opor à operação de captura, e realmente ele resistiu”, disse o porta-voz. Segundo Carney, a mulher de Bin Laden "avançou contra as forças dos EUA" e foi ferida na perna, mas não morreu, ao contrário do que fora anunciado por uma autoridade da Casa Branca na segunda-feira.

O porta-voz não deu mais detalhes sobre o comportamento de Bin Laden durante o ataque. Na operação, forças norte-americanas enfrentaram um tiroteio durante 40 minutos. "Esperávamos uma grande resistência e fomos recebido com uma grande dose de resistência. Havia muitas outras pessoas armadas no complexo", afirmou Carney.

AP
Jay Carney, secretário de imprensa da Casa Branca, falou sobre a operação que matou Bin Laden nesta terça-feira

O porta-voz da Casa Branca disse também as fotos de Bin Laden são "horríveis" e sua divulgação poderia ser "inflamatória". Segundo Carney, oficiais americanos estão preocupados com o tema delicado, e há uma discussão interna sobre a maneira mais apropriada de lidar com a divulgação desse material.

No pronunciamento desta terça-feira, o assessor disse ainda que  assassinato de Bin Laden provavelmente não deve afetar o cronograma dos Estados Unidos para retirar as tropas americanas do Afeganistão e acrescentou que o objetivo de iniciar a retirada em julho permanece.

Operação

O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto neste domingo no Paquistão. De acordo com o governo dos Estados Unidos, Bin Laden foi morto em uma operação conduzida por uma unidade de elite do Exército americano na cidade de Abbottabad, a 100 quilômetros de Islamabad, no Paquistão.

Bin Laden era procurado pelo governo americano havia mais de uma década. De acordo com autoridades americanas, a "virada" aconteceu há quatro anos, quando as agências de inteligência identificaram um fiel mensageiro de Osama. O pseudônimo e algumas informações sobre o homem que seria usado pelo chefe da Al-Qaeda para manter contato com o mundo foram dados por prisioneiros do centro de detenção de Guantánamo, em Cuba.

Foram mais dois anos até que as autoridades americanas descobrissem a região em que o mensageiro atuava. Em agosto do ano passado, as agências de inteligência chegaram à fortaleza construída em Abbottabad, uma cidade de médio porte localizada a cerca de uma hora de Islamabad.

A propriedade era tão segura e tão grande que autoridades americanas duvidaram que ela tivesse sido construída para esconder um simples mensageiro. Em um minucioso trabalho de inteligência, agentes da CIA analisaram fotos de satélites e diferentes relatórios na tentativa de determinar quem poderia estar vivendo no local. Em setembro, a CIA considerou que a possibilidade de Bin Lader estar ali era grande.

O local era muito diferente das cavernas nas montanhas onde muitos imaginavam que Bin Laden estivesse se escondendo. Pelo contrário, era uma mansão nos arredores do centro da cidade, localizada em um imponente morro e rodeada por muros de concreto com arame farpado no topo.

Mansão

O imóvel foi avaliado em US$ 1 milhão, mas não tinha nem um telefone nem acesso à internet. Seus moradores eram tão preocupados com a segurança que queimavam o lixo e não o colocavam para coleta na rua como os seus vizinhos. Autoridades americanas acreditam que a fortaleza, construída em 2005, foi concebida com a finalidade específica de esconder Bin Laden.

Outros meses de trabalho de inteligência se seguiriam até que, em 14 de março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, realizou a primeira de cinco reuniões sobre segurança nacional que aconteceriam nas próximas seis semanas para discutir a operação. 

A última delas aconteceu na manhã de sexta-feira (29) e contou com a presença de Thomas Donilon, conselheiro de segurança nacional, John O. Brennan, conselheiro de contraterrorismo, e outros assessores próximos do líder. Antes de visitar o Alabama para observar danos causados por tornados, Obama assinou a ordem formal que autorizou a operação no local onde o governo acreditava que servia de esconderijo para Bin Laden.

No domingo (1º), uma pequena equipe de militares e agentes de inteligência americanos saíram de helicópteros para o ataque contra o prédio fortificado. Autoridades dos EUA forneceram poucos detalhes sobre a operação, mas disseram que um tiroteio começou e que Bin Laden tentou resistir. O líder da Al-Qaeda foi morto com um tiro no cérebro, de acordo com o governo. Outros três homens - incluindo um dos filhos de Bin Laden - e uma mulher que teria sido usada como escudo humano também morreram.

Autoridades americanas disseram que um dos helicópteros caiu durante a missão por causa de uma falha mecânica, mas que nenhum americano ficou ferido. Eram 15h50 (horário local) quando Obama recebeu a notícia de que Bin Laden havia sido identificado. Segundo o governo, o corpo foi "enterrado no mar".

*Com Reuters

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