Bimbalhadas

Eu gostaria de saber qual o segredo do sucesso de Enrique Iglesias. Este seria meu tema para um fim-de-semana cada vez mais próximo do Natal.

BBC Brasil |

Enrique Iglesias está com um CD novo na praça reunindo seus grandes momentos no mundo vocal artístico em linguagem castelhana. Como nunca o vi nem ouvi, achei que seria um assunto dos mais adequados para a ocasião.

Um homem deve enfrentar de peito os mistérios do mundo que o cerca. Enrique Iglesias, que se diz, e dele dizem, cantor, e filho de Julio Iglesias, que exercia, ou ainda exerce, a mesma profissão.

Do Iglesias pai eu me lembro muito bem. Há alguns anos vendeu disco que não acabava mais de sua versão do Begin the Beguine, de Cole Porter, que, no idioma de Cervantes, recebeu o instigante título de Volver a Empezar.

Julio Iglesias não saia das paradas de sucesso e da televisão. Não conheço nenhuma outra gravação sua. Creio, todavia, ter entendido o segredo de seu sucesso. Ele cantava com um tique diferente: passava ora a mão esquerda, ora a mão direita, pela boca do estômago como se certificando-se que dali não surgiria a figura hedionda do 8º passageiro do Ridley Scott.

Com Michael Jackson, o negócio era mais embaixo. Ou mais baixo. Iglesias pai era muito afinado, tinha uma voz agradável e aquela história da mão percorrendo o "estômbagado" dava-lhe um charme todo especial. Esse somatório explica o sucesso de Julio Iglesias e porque, inclusive, chegou a gravar em dueto com Frank Sinatra, um Sinatra no apagar das luzes da carreira artística, mas mesmo assim Frank Sinatra, sem essa história de Júnior ou coisa que o valha.

O Natal, suas repercussões, esses sinos, essas senhoras cobertas de embrulhos no metrô, essas festinhas de escritório, essas luzes todas em Oxford Street botam a gente a matutar improbabilidades.

Deixados Iglesias pai e filho de lado, enuncio aqui minha segunda preocupação, e o assunto que pretendia levantar, pois, entre meu cérebro e cerebelo, está muito na moda. Seguinte: os blogueiros que se espalham pelo mundo virtual devem ou não ter diploma para exercer suas melindrosas atividades? Até agora, confesso que não vi ninguém levantar a questão. Creio-a, no entanto, digna de discussão além do mundo dos blogs, chegando mesmo a fazer parte da agenda jornalística mundial, principalmente no Brasil, onde a questão do diploma para jornalistas é sempre momentosa.

E já que falei em sucesso: qual o segredo do sucesso dos blogs? Eu já levantei várias hipóteses e recebi uma chusma de sugestões, algumas bem desaforadas, mas confesso não ter chegado a uma conclusão satisfatória. Insatisfatória, sim, que de conclusões insatisfatórias minha vida é feita. Mas, mesmo assim...

Deixo as reticências como documentação insofismável de que não tenho diploma de jornalismo. Pinta, no entanto, em meu futuro um blog. Pinta...

Continuando com o tema de meliantes e truões, drogados e ladrões, aproveito a temporada natalina para levantar mais uma penosa questão. É que, a partir do dia 5 de janeiro, portanto logo ali depois da esquina com o Papai Noel magricela a bimbalhar seu sininho pedindo uns trocados para os destituídos, o Conselho de Sentenças do Reino Unido pretende deixar para lá essa história de trancafiar os meliantes primários acima referidos e simplesmente dar-lhes ordens de tratamento ou de serviço comunitário. O viciado que precisa porque precisa pegar de pico de qualquer maneira teria, segundo os novos parâmetros, o direito de deixar a prisão e ir se entender com o traficante de sua preferência.

Uma importante ressalva: os ladrões terão que continuar cumprindo pena e, como dizem as gentes blogueiras com muito graça, "a ver o sol nascer quadrado".

A questão, apesar de já estar decidida, continua a provocar celeumas. Ninguém, no entanto, apontou para os casos dos sucessos de Enrique e Julio Iglesias e dos 500 mil blogueiros que desabrocham diariamente no mundo virtual.

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