Bill Clinton vai a Pyongyang para negociar libertação de jornalistas

SEUL - O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton fez uma inesperada visita à Coréia do Norte nesta terça-feira para tentar conseguir a libertação de duas jornalistas norte-americanas, uma medida que, segundo analistas, pode marcar o retorno da isolada dinastia comunista às negociações sobre armas nucleares.

Redação com agências internacionais |

A viagem de Clinton acontece após meses de provocações militares por parte da empobrecida Coreia do Norte, que virou as costas para as negociações com potências regionais, incluindo os EUA e a China, e decidiu manter seus planos de construir um arsenal atômico.

A agência de notícias norte-coreana KCNA disse que o principal negociador nuclear do país, Kim Kye-gwan, estava entre as autoridades que receberam Clinton, cujo governo teria considerada atacar a planta atômica norte-coreana de Yongbyon no início dos anos 1990.

Imagens de televisão mostraram Clinton, vestido de preto, cumprimentando firmemente um oficial. Ele pareceu menos sério quando uma menina vestida com roupas tradicionais entregou flores, antes de ele entrar numa limousine preta.


Bill Clinton chegou nesta terça-feira à Coreia do Norte / AP

"Assim que ele chegar, participará de negociações com o Norte para a libertação das jornalistas", disse uma fonte à agência de notícias sul-coreana Yonhap.

As duas jornalistas, Euna Lee e Laura Ling, da Current TV, co-fundada pelo vice-presidente de Clinton, Al Gore, foram presas na fronteira da Coreia do Norte com a China em março, acusadas de entrar ilegalmente no país e por serem "propensas a difamação".

Um tribunal norte-coreano sentenciou cada uma no mês passado a 12 anos de trabalho duro, pelo que considerou crimes graves.

Muitos analistas afirmaram que Pyongyang pode usar as jornalistas como moeda de troca com Washington, que liderou a pressão sobre o Conselho de Segurança da ONU para aumentar as sanções sobre a Coréia do Norte após um teste nuclear em maio.

"Há a possibilidade de uma enorme virada da Coreia do Norte que pode levar a uma nova fase de negociações", disse Yun Duk-min, do Instituto de Relações Exteriores e Segurança Nacional de Seul.

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