Bill Clinton promete mais ajuda e preencher lacunas da cooperação ao Haiti

José Luis Paniagua. Porto Príncipe, 5 fev (EFE).- O ex-presidente americano e enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, prometeu hoje mais esforços e ajuda para tentar dar fim aos problemas de coordenação na distribuição de assistência por parte da comunidade internacional após o terremoto que atingiu o país em janeiro.

EFE |

"Sinto que esteja demorando tanto, mas estas pessoas estão trabalhando duro e o que estou tentando fazer agora é identificar as coisas que não foram feitas e que devem ser aceleradas. Estou fazendo tudo o que posso", disse Clinton depois de se reunir com o presidente do Haiti, René Préval.

"O que vou tentar fazer é preencher as lacunas no trabalho da comunidade internacional", acrescentou.

A visita de Clinton ocorre no momento em que ficam evidentes os problemas de coordenação entre os diferentes atores internacionais presentes no Haiti para ajudar, enquanto cresce a frustração entre a população por causa da falta de resposta a suas necessidades.

Em declarações a jornalistas, o ex-presidente americano lembrou que o terremoto do Haiti, que segundo o Governo deixou mais de 212 mil mortos, também representou a maior perda de vidas para as próprias Nações Unidas.

Clinton afirmou que a articulação da entrega de ajuda humanitária deveria ter sido feita enquanto os resgates eram prioridade, porque "ainda havia gente viva duas semanas depois do desastre".

"Estive em desastres deste tipo em todo o mundo e este é um dos piores que vi", disse.

Em sua segunda visita ao Haiti após o terremoto do dia 12 de janeiro, Clinton se reuniu hoje com Préval e o chefe da missão da ONU no país (Minustah), Edmond Mulet, assim como com membros do mecanismo de coordenação de ajuda da comunidade internacional.

"Foi uma boa reunião, me deram muitas boas ideias e tenho muito trabalho a fazer", disse o ex-presidente americano, ao mencionar sua intenção de se dedicar agora a ações imediatas, como conseguir mais fundos para o programa Comida por Trabalho, da ONU.

Este projeto, que deu emprego para mais de 30 mil pessoas, paga um salário diário de US$ 5 aos haitianos que trabalham nas tarefas de remoção de escombros e reparação da infraestrutura pública, dando ajuda humanitária indireta e injetando dinheiro na economia local.

Clinton disse esperar que 27 mil tendas de campanha cheguem ao país nos próximos sete dias e anúncio a chegada de 100 caminhonetes que permitirão melhorar a distribuição da ajuda, em número que pode subir para 200 veículos.

Além disso, ressaltou a necessidade de que todos os esforços se encaminhem para uma reconstrução pensando no futuro.

Em sua opinião, é preciso "organizar o trabalho de modo que, independentemente do que aconteça no futuro, o Haiti seja um país com sua própria economia, ao qual eu voltarei como turista".

"Me deram instruções e vou para casa tentar cumpri-las", disse Clinton.

Préval demonstrou satisfação com a visita de Clinton, com quem manteve "uma boa conversa" sobre a situação do país, e acrescentou que ambos são conscientes de que "a reconstrução não vai ser fácil".

O ex-presidente dos Estados Unidos evitou falar dos dez americanos que estão sendo processados no Haiti por supostamente tentar sequestrar crianças ao dizer que esse tema não faz parte de suas funções e que a secretaria de Estado americana e o Governo haitiano já estão tratando do assunto.

O advogado defensor dos norte-americanos, Edwin Coq, disse hoje à Agência Efe que pedirá liberdade provisória para o grupo e assegurou que vivem uma "situação muito complicada" na prisão.

Os dez processados, cinco homens e cinco mulheres, foram acusados formalmente ontem de tráfico de menores e formação de quadrilha.

Eles foram detidos na semana passada quando tentavam entrar na República Dominicana em um ônibus com 33 crianças de entre 2 e 12 anos.

A reunião de Clinton com Préval aconteceu enquanto quase 30 funcionários públicos reivindicavam o pagamento de salários atrasados com cartazes de apoio ao ex-presidente Jean Bertrand Aristide no exterior da sede da Polícia Judicial, transformada nos escritórios do Governo após o terremoto. EFE jlp/bba

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