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Biggs, o ladrão do século , deixa a prisão como uma lenda do crime

Judith Mora. Londres, 7 ago (EFE).- Cheio de artimanhas, o inglês Ronald Biggs, conhecido como o ladrão do século pelo assalto ao trem pagador de Glasgow (Escócia), em 1963, e libertado hoje por motivos de saúde, garantiu um lugar de destaque na galeria do crime do Reino Unido, onde deixou de ser um mero criminoso para se tornar uma figura lendária.

EFE |

Tudo começou em 8 de agosto de 1963, quando Biggs fez 34 anos.

Ele e outras 15 pessoas assaltaram o trem postal de Glasgow na altura de Ledburn (sul da Inglaterra). Cerca de 2,6 milhões de libras (3 milhões de euros atuais) foram roubados, um recorde para a época.

Os assaltantes, porém, acabaram presos. Mas Biggs ficou pouco tempo na penitenciária de Wandsworth. Depois de 15 meses atrás das grades e com 29 anos de pena ainda pela frente, ele fugiu com uma escada de corda feita à mão e com a ajuda de uma caminhonete que o aguardava do lado de fora do presídio.

Foram a vida e as aventuras como fugitivo, e também os flertes com a Justiça e a imprensa, que fizeram do inglês um personagem lendário, embora, aparentemente, tenha tido um papel de coadjuvante no famoso assalto ao trem postal.

Apesar do fascínio que as aventuras de Biggs exercem sobre muitas pessoas, nem todos o veem como um simpático criminoso de cinema. O sindicato dos ferroviários, por exemplo, condena aqueles que idealizam o assaltante "como um Robin Hood", já que ele e os cúmplices feriram gravemente o maquinista, que morreu sete anos depois.

"Jack Mills foi atacado com o cabo de um machado, algemado com seu subalterno, David Whitby, e empurrado para o compartimento do motor", contou o presidente do sindicato, Keith Norman, segundo quem Mills "nunca se recuperou totalmente" do ocorrido.

Fora da prisão, Biggs foi para Paris com a mulher, Charmian, e os dois filhos, Farley e Chris. Após se submeter a uma cirurgia plástica, ele e o resto da família, munidos de passaportes falsos, foram para a Austrália.

Mas quando a Scotland Yard chegou ao seu encalço, o assaltante fugiu para o Brasil, que na época ainda não havia assinado um tratado de extradição com o Reino Unido.

Em 1974, o detetive Jack Slipper, que passou a vida perseguindo Biggs, conseguiu detê-lo no Rio de Janeiro. Mas o assaltante voltou a dar uma volta na Justiça britânica. Como estava se divorciando da mulher e havia acabado de se tornar pai de Michael, o filho que teve com a brasileira Raimunda de Castro, ele conseguiu evitar sua extradição.

Nascido em Londres, Biggs voltou a escapar das garras da lei em 1977, após ter sido detido numa festa que acontecia numa fragata inglesa atracada no Rio. Quatro anos depois, ele tornou a recorrer às leis de extradição para se livrar da prisão. Dessa vez, ele havia sido sequestrado por um grupo de ex-soldados britânicos que o levara para Barbados.

Em 1997, o Governo britânico voltou a fracassar numa nova tentativa de extraditá-lo do Brasil.

Os vários anos como foragido permitiram a Biggs explorar financeiramente a fama que conquistou. Não é segredo que ele ganhou dinheiro vendendo "entrevistas exclusivas" sobre sua suposta rendição.

No fim das contas, foi o jornal "The Sun" que, após oferecer uma determinada quantia ao assaltante, entregou-lhe ao Reino Unido em maio de 2001. Biggs, no entanto, só decidiu se entregar porque, muito doente, queria morrer em solo pátrio, apesar de alguns terem dito que, na verdade, ele queria se valer do sistema público de saúde britânico.

Quando desembarcou no Reino Unido, o inglês foi imediatamente detido e levado para uma prisão de segurança máxima em Belmarsh, onde se casou com Raimunda em 2002.

Em 2007, quando sua saúde já havia piorado consideravelmente, ele foi transferido para a penitenciária de Norwich (leste), onde poderia ser tratado mesmo atrás das grades.

Nos últimos anos, Biggs teve vários derrames que o deixaram com o rosto paralisado, o que o impedia de falar ou comer sozinho.

Recentemente, ele também fraturou a bacia e contraiu uma pneumonia severa.

Solto nesta sexta-feira, um dia depois de o Governo britânico ter se compadecido de seu delicado estado de saúde, o assaltante poderá comemorar seus 80 anos, a serem completados amanhã, em casa e ao lado da família. EFE jm/sc

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