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Bienal do vazio termina amanhã em São Paulo

São Paulo, 5 dez (EFE).- Um grande espaço vazio, algo pouco habitual em grandes cidades como São Paulo, foi a aposta da Bienal de Arte para este ano que vai até amanhã e, com este novo formato, pretende romper com os modelos estabelecidos, afirmou hoje o curador da mostra, Ivo Mesquita.

EFE |

Os paulistanos e visitantes da maior cidade do Brasil têm mais um dia para visitar o pavilhão da Bienal de Arte por onde, apesar da redução no número de artistas apresentados, passaram cerca de 2.500 pessoas diárias, durante os 45 dias que a mostra durou este ano.

O pavilhão, instalado no parque de Ibirapuera, oásis verde da cidade, desenhado por Oscar Niemeyer em 1951, para a realização da primeira Bienal, nunca se tinha mostrado "como é em termos arquitetônicos", explicou Mesquita à Agência Efe.

Além disso, ao deixar o segundo andar completamente vazio (cerca de 12 mil metros quadrados), "marcamos uma diferença clara com as outras bienais e também com as edições anteriores realizadas em São Paulo".

Desta maneira, se renova o "sistema caduco que vinha se utilizando e fazia com que o objetivo principal de uma bienal, que é analisar o momento artístico perdesse força".

"Hoje em dia se realizam mais de 150 bienais no mundo e todas oferecem as mesmas coisas", reforçou Mesquita, afirmando que o objetivo de sua equipe foi "se esforçar na suspensão do processo" de produção destas mostras no nascimento de uma nova perspectiva.

Mesquita afirmou também que o grande espaço vazio está surpreendendo "positivamente" os visitantes, em sua maioria paulistanos, pouco habituados a desfrutar do silêncio e dos grandes espaços "sem nada", algo "muito raro" na vida diária da metrópole.

"Vivemos imersos em uma cultura na qual o tempo todo estamos consumindo, temos que estar vendo, olhando ou comprando alguma coisa", por isso este grande vazio serve para "deixar o indivíduo com suas idéias e suas expectativas sobre o que é ou não é a arte".

"O espaço vazio é uma metáfora sobre qualquer coisa", cada um o interpreta, explicou Mesquita, especificando que ele, como curador, não pretendeu fazer nenhuma crítica a uma suposta "pobreza da produção artística atual", mas simplesmente inovar sobre o conceito de uma bienal porque "nem sempre têm que ser de paredes brancas cheias de quadros".

De acordo com Mesquita, as bienais devem ser "laboratórios" onde se mostrem os trabalhos mais vanguardistas e inovadores e onde se experimente também a maneira de apresentá-los, uma vez que em cidades como São Paulo já existem espaços para que os artistas exponham seus projetos.

O projeto decepcionou e emocionou em partes iguais a crítica e a imprensa, ao que Mesquita responde que "nenhum evento deste tipo tem uma resposta imediata" e que "se necessitam anos para entender o que esta Bienal quer representar".

"Se a bienal é criticada e analisada, já é um sucesso" disse.

"Não queremos impor este modelo como o único válido ou definitivo" dado que uma bienal pode usar vários formatos desde a exposição em um pavilhão, as mostras em vários museus ou a exibição de trabalhos somente através da rede, mas "a única coisa que queremos demonstrar é que é possível fazê-lo de outra maneira".

Além dos 12 mil metros quadrados de vazio do segundo andar, a 28ª Bienal de São Paulo reúne obras de 42 artistas de vanguarda de 22 países que mostram ao público uma série de "performances" e propostas alternativas diferentes das que predominam.

A bienal reúne, desta vez, menos, artistas do que em suas últimas duas edições, quando contou com 130 expositores, em 2004, e com 100, em 2006.

Ivo Mesquita é o curador da Bienal de São Paulo e da Pinacoteca do Estado, além de formado em jornalismo e mestrado em História da Arte.

O paulistano de 57 anos também trabalhou como curador independente e diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo.

EFE jrt/

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