Presidente do país diz que dois homens presos pela polícia assumiram envolvimento em atentado a estação em Minsk

A polícia da Bielo-Rússia prendeu dois suspeitos de envolvimento no ataque a uma estação de metrô da capital, Minsk, que deixou 12 mortos e cerca de 200 feridos. Segundo o presidente do país, Alexander Lukashenko, os suspeitos confessaram participação no atentado, que aconteceu na segunda-feira.

O líder afirmou, porém, que ainda não sabe quem ordenou o ataque, e disse ter pedido que o procurador-geral do país interrogue ativistas da oposição sobre o assunto.

Flor é colocada em mural com fotos de vítimas de ataque em Minsk na entrada da estação de Oktyabrskaya
AP
Flor é colocada em mural com fotos de vítimas de ataque em Minsk na entrada da estação de Oktyabrskaya
"Buscamos cúmplices e instigadores. Estas figuras da suposta quinta coluna poderiam mostrar suas cartas e nos indicar quem é o instigador" disse o líder, que costuma usar a expressão "quinta coluna" para se referir a um suposto complô da oposição e de países ocidentais contra ele.

Até agora, nenhum grupo assumiu a responsabilidade pela atentado O ministro do Interior, Anatoly Kuleshov, disse que a bomba era controlada por rádio e foi escondida embaixo de um banco da estação de Oktyabrskaya. O explosivo foi detonado quando passageiros desciam do trem, durante o horário do rush, quando as pessoas voltavam para casa após o trabalho.

Oktyabrskaya é uma das estações mais movimentadas da capital bielorrussa, pois fica perto dos prédios do governo, das sedes das principais empresas industriais da cidade e até da residência presidencial.

Tensão

A explosão acontece em meio a um ambiente de tensão política no país, onde muitos opositores foram detidos no fim de dezembro, depois da questionada reeleição de Lukashenko, que há 16 anos dirige com mãos de ferro a ex-república soviética. A reeleição de Lukachenko com mais de 80% dos votos, no dia 19 de dezembro, provocou um grande protesto da oposição em Minsk, que alegou fraudes. A manifestação foi encerrada pela polícia e mais de 600 pessoas foram detidas.

Vinte e dois opositores ainda estão em detenção provisória e cinco fugiram para o exterior, principalmente um dos candidatos às eleições presidenciais, Ales Mikhalevitch, que obteve asilo político na República Tcheca.

Dezenas de opositores, entre os quais candidatos às eleições presidenciais, foram acusados de "organização de protestos massivos" e acabaram condenados a até 15 anos de prisão.

Com AP e AFP

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