Biden visita Iraque em meio a polêmica sobre eleições

Por Jim Loney BAGDÁ (Reuters) - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reuniu-se neste sábado com autoridades iraquianas em meio a uma polêmica sobre a decisão de barrar muitos candidatos em uma eleição, em março, sob suspeita de envolvimento com o Partido Baath, de Saddam Hussein.

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A medida, decidida por um painel independente, deixou enfurecidos os sunitas, que dominaram o Iraque por mais de duas décadas sob o regime de Saddam e veem a decisão como uma maneira de marginalizar sua comunidade, levantando dúvidas sobre a abrangência e a legitimidade do pleito de 7 de março.

Autoridades norte-americanas dizem nos bastidores que a maneira arbitrária como a lista aparentemente foi feita e a questionável legitimidade do painel podem prejudicar a eleição. Mas autoridades iraquianas disseram a Biden que não precisam nem procuram a ajuda dos Estados Unidos.

"O assunto da responsabilidade e Justiça é um assunto iraquiano e não há papel externo nele, nem um papel para influência externa", afirmou à Reuters o porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh, após Biden ter se encontrado com o primeiro-ministro, Nuri al-Maliki.

"Não há lugar para Biden nessa questão e ele não veio para interferir nessa questão, mas ajudar o Iraque em suas relações estratégicas com os Estados Unidos", acrescentou Dabbagh.

A violência sectária entre a minoria sunita e a maioria xiita, que explodiu em 2003 com a invasão norte-americana, começou a diminuir.

Mas a segurança do Iraque continua frágil e frequentemente é colocada em teste por ataques suicidas e mortes realizadas por suspeitos insurgentes sunitas, como os da Al Qaeda. Há também ações de milícias xiitas, que os EUA dizem ser apoiadas pelo Irã.

A eleição de março é um teste da capacidade do Iraque de sustentar a crescente paz e construir um futuro de estabilidade e prosperidade, apoiado nos contratos bilionários que o país começou a assinar com companhias petrolíferas mundiais.

Uma das autoridades que se encontraram com Biden foi o ministro do Petróleo, Hussain al-Shahristani, que dirige acordos com empresas do setor, contratos que podem jogar o Iraque para a terceira posição entre as nações produtoras de petróleo e fazer o país rivalizar com a Arábia Saudita.

(Reportagem adicional de Ahmed Rasheed)

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