Biden estuda ampliação de tropas americanas em visita ao Afeganistão

Lutffullah Ormurl. Cabul, 11 jan (EFE).- A menos de dez dias de sua posse como vice-presidente dos Estados Unidos, o senador Joseph Biden referendou às autoridades afegãs o compromisso de seu país no Afeganistão durante uma viagem oficial à região.

EFE |

Biden, que é chefe da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado americano, chegou hoje à conflituosa província de Kandahar (sul), onde se reuniu com os generais do comando da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) no Afeganistão.

"Estou muito interessado em saber o que ocorre nesta região, porque afeta a nós todos", declarou Biden em um comunicado emitido hoje pela Isaf.

Acompanhado pelo general David McKiernan, chefe da força internacional, e pelo senador americano Lindsay Graham, Biden discutiu com os comandantes regionais a futura estratégia militar no sul do país, que passa pela ampliação das forças americanas.

Em dezembro último, o chefe do Estado-Maior americano, almirante Mike Mullen, disse que entre 20 mil e 30 mil homens seriam enviados ao Afeganistão este ano, o que, se realmente acontecer, dobrará o tamanho da força já presente no país.

Grande parte desses reforços será destinada ao sul afegão, região que viu o ressurgimento dos talibãs e onde as forças internacionais sofreram a maior parte de suas baixas.

O agravamento da situação em solo afegão teve seu reflexo durante a campanha eleitoral americana, durante a qual o presidente eleito, Barack Obama, anunciou que o Afeganistão, e não o Iraque, seria a prioridade militar dos Estados Unidos durante seu mandato.

Essa promessa - um "apoio pleno às tropas e a seus esforços na região" - foi lembrada por Biden durante seu encontro com os comandantes de Kandahar, ocorrido um dia após suas reuniões com o presidente afegão, Hamid Karzai, e com o comando da Isaf.

Em comunicado divulgado nesta madrugada, o palácio presidencial afegão disse que o vice-presidente eleito referendou a Karzai "o compromisso a longo prazo" que os EUA mantêm no Afeganistão.

Com Karzai, Biden discutiu assuntos como "o terrorismo, o envio de mais tropas ao país e o equipamento das forças de segurança afegãs", segundo a nota.

Biden assegurou que seu país está comprometido com a ajuda "estratégica" e a longo prazo para o povo do Afeganistão, que viu os talibãs se multiplicarem nos últimos dois anos, sobretudo no leste e no sul do país.

Segundo a Administração americana, o envio de reforços ao Afeganistão tem como limite o temor de que a população afegã veja os soldados estrangeiros como uma força de ocupação.

No encontro com Biden, porém, Karzai não hesitou em criticar as vítimas civis causadas pelos bombardeios da aviação estrangeira no país.

A Isaf, amparada em um mandato da Otan, tem no país 48 mil soldados - 18 mil americanos -, que lutam acompanhados por outros 15 mil dos EUA que atuam no âmbito da missão antiterrorista "Liberdade Duradoura".

Biden chegou ao Afeganistão no sábado, vindo do Paquistão, onde se reuniu com o presidente desse país, Asif Ali Zardari, e com o primeiro-ministro Yousef Raza Gilani, com quem se comprometeu a apoiar a luta contra o terrorismo e a estabilidade democrática.

Segundo o comunicado divulgado hoje pela Isaf, a viagem asiática de Biden terminará esta semana, com uma parada no Iraque, onde se reunirá com comandantes militares americanos.

A viagem de Biden pelo Afeganistão foi marcada por confusões, já que as autoridades se negaram a revelar sua agenda por razões de segurança. EFE lo/sc

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