Biden e Abbas dizem que expansão de colônias mina negociações

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, condenaram nesta quarta-feira a decisão de Israel de construir mais casas em colônias da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

iG São Paulo |

Para ambos, o passo israelense compromete as negociações de paz indiretas mediadas pelos EUA .

As afirmações foram feitas um dia depois do Ministério do Interior de Israel anunciar que aprovou a construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental .

AFP
Biden reúne-se com presidente palestino, Mahmud Abbas em Ramallah, Cisjordânia

Biden com presidente palestino, Mahmud Abbas, em Ramallah

A comunidade internacional considera Jerusalém Oriental, setor de maioria árabe anexado por Israel em 1967, como território ocupado. Construir em terra ocupada é ilegal sob a lei internacional. 

Além da construção em Jerusalém Oriental, na segunda-feira foi anunciado que o governo israelense ter informado sua decisão de ampliar com mais 112 apartamentos o assentamento de Beitar Ilit , na Cisjordânia.  

Abbas afirmou que "essas práticas" e outras "medidas levadas a cabo por Israel na Cisjordânia e em Jerusalém minam as negociações indiretas" com o Estado judeu.

Após uma reunião de duas horas com o vice de Barack Obama, Abbas pediu a "Israel que suspenda as atividades nas colônias e pare de impor fatos consumados". "É hora de alcançarmos a paz baseada em uma solução de dois Estados", acrescentou.

O presidente da ANP ainda fez um apelo para que Israel "não perca a oportunidade de fazer a paz e dê uma chance aos esforços do presidente Obama e de seu enviado, George Mitchell".

Biden também condenou a decisão israelense de expandir suas colônias . Além de pedir que ambas as partes evitem "atos que possam inflamar os ânimos", ele assegurou que "não há alternativa à solução de dois Estados" e reiterou a determinação dos EUA em estabelecer "um Estado palestino viável".

Por sua vez, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, disse na reunião que teve de manhã com Biden, em Ramallah, que a expansão das colônias judaicas é "um grande insulto aos esforços dos EUA para relançar o processo de paz".

Retomada das negociações

Nesta semana, o enviado especial do governo Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, manteve reuniões com autoridades israelenses e palestinas e conseguiu negociar a retomada de negociações indiretas , marcando o reinício de um processo de paz abandonado em dezembro de 2008.

Ainda não existe um acordo entre israelenses e palestinos sobre o conteúdo e o formato das negociações indiretas, também chamadas de "conversas de aproximação".

O governo israelense afirma esperar que as negociações indiretas sejam de curta duração e levem à retomada das negociações diretas.

Até agora, o governo israelense não tem se mostrado disposto a discutir as questões mais espinhosas do conflito nas negociações indiretas.

Já a Autoridade Palestina, que obteve o apoio da Liga Árabe para dar uma chance de quatro meses às negociações indiretas, quer abordar, desde o inicio, as questões mais problemáticas do conflito, como o destino de Jerusalém, as fronteiras de um futuro Estado palestino e o retorno dos refugiados.

* Com informações da Reuters e BBC

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