O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou nesta terça-feira os planos de Israel para a construção de mais 1.600 residências em Jerusalém Oriental, setor da cidade de maioria árabe.


"Eu condeno a decisão do governo de Israel para avançar com o plano de novas unidades residenciais em Jerusalém Oriental. A substância e o tempo do anúncio, especialmente com o lançamento de negociações de proximidade, é precisamente o tipo de passo que mina a confiança que precisamos agora", afirmou Biden em comunicado.

O vice-presidente americano visita Israel como parte dos esforços liderados pelos Estados Unidos para restaurar as negociações de paz no Oriente Médio.

Reuters
Joe Biden encontra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

Biden encontra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu

Nesta terça-feira, o porta-voz da Autoridade Palestina criticou a decisão de Israel. "Construir em Jerusalém Oriental significa que os esforços dos Estados Unidos fracassaram, inclusive antes do início das negociações indiretas " entre israelenses e palestinos, declarou Nabil Abu Rudeina.

"Está claro que Israel não quer nem paz nem negociações e que o governo americano terá que responder às provocações israelenses imediatamente e tomar uma decisão urgente sobre uma medida eficaz", acrescentou o porta-voz.

Construção aprovada

O Ministério israelense do Interior aprovou nesta terça-feira a construção de mais 1.600 casas para colonos judeus em Jerusalém Oriental .

As unidades habitacionais serão construídas na colônia judaica ultraortodoxa de Ramat Shlomo, expandindo-o tanto para o leste quanto para o sul. Segundo o comunicado, 30% das unidades serão alocadas para jovens casais, informa o jornal israelense Haaretz.

A medida também foi anunciada um dia depois de o governo israelense ter anunciado sua decisão de ampliar com mais 112 apartamentos o assentamento de Beitar Ilit , na Cisjordânia. Segundo o governo israelense, a ampliação do assentamento foi determinada "por razões de segurança".

A comunidade internacional considera Jerusalém Oriental, anexada por Israel em 1967, como território ocupado. Construir em terra ocupada é ilegal sob a lei internacional.

Retomada das negociações

Nesta semana, o enviado especial do governo Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, manteve reuniões com autoridades israelenses e palestinas e conseguiu negociar a retomada de negociações indiretas , marcando o reinício de um processo de paz abandonado em dezembro de 2008.

Ainda não existe um acordo entre israelenses e palestinos sobre o conteúdo e o formato das negociações indiretas, também chamadas de "conversas de aproximação".

O governo israelense afirma esperar que as negociações indiretas sejam de curta duração e levem à retomada das negociações diretas.

Até agora, o governo israelense não tem se mostrado disposto a discutir as questões mais espinhosas do conflito nas negociações indiretas.

Já a Autoridade Palestina, que obteve o apoio da Liga Árabe para dar uma chance de quatro meses às negociações indiretas, quer abordar, desde o inicio, as questões mais problemáticas do conflito, como o destino de Jerusalém, as fronteiras de um futuro Estado palestino e o retorno dos refugiados.

* Com informações da BBC, AFP e Reuters

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