Biden: aproximação EUA-Rússia não se fará em detrimento da Ucrânia

O vice-presidente americano, Joseph Biden, garantiu nesta terça-feira que uma reaproximação entre Estados Unidos e Rússia não se fará em detrimento da Ucrânia, e que Washington continuará apoiando a adesão de Kiev à Otan.

AFP |

"Estamos trabalhando para a retomada de nossas relações com a Rússia. Garanto que isso não se fará em detrimento da Ucrânia. Pelo contrário, acho que será até bom para a Ucrânia", declarou Biden após uma reunião com o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, em Kiev.

Em visita à Ucrânia, de onde deve partir para a Geórgia, Joe Biden tem como missão redefinir a política dos Estados Unidos em relação às ex-repúblicas soviéticas pró-ocidentais, duas semanas depois da visita a Moscou do presidente americano, Barack Obama, que permitiu "recomeçar do zero" as relações russo-americanas.

Os Estados Unidos apoiam o projeto de integração da Ucrânia à Otan, apesar da oposição da Rússia, enfatizou Biden, concordando com Yushchenko sobre o fato de que a Aliança Atlântica constitui a única garantia de segurança para a Ucrânia.

"Se vocês escolherem a integração euro-atlântica, poderão contar com nosso firme apoio", declarou o vice-presidente americano, sem pronunciar explicitamente a palavra Otan.

Vários países da Aliança Atlântica, como a França e a Alemanha, se opõem a uma entrada rápida da Ucrânia e da Geórgia na organização. Estas reservas ficaram ainda maiores após o conflito militar entre Moscou e Tbilisi.

A Crimeia, que abriga a frota russa do Mar Negro no sul da Ucrânia, é outro tema de divergências entre Moscou e Kiev.

Joe Biden rejeitou mais uma vez o direito à ingerência que Moscou segue reivindicando, ainda que de forma velada, nos países que formavam a extinta União Soviética.

"Não reconhecemos nenhuma esfera de influência. Não reconhecemos ninguém com o direito de lhes dizer a que aliança devem pertencer, ou que tipo de relações têm que manter", afirmou.

O presidente ucraniano não escondeu sua preocupação com o início da reaproximação russo-americana. "Gostaríamos que estas relações tivessem perspectivas, mas não em detrimento da Ucrânia", ressaltou.

"Vivemos em um mundo difícil. A integridade territorial, a soberania e as liberdades dependem de nossas relações com os vizinhos", insistiu.

Yushchenko é candidato à reeleição em janeiro de 2010 apesar de pesquisas catastróficas, segundo as quais teria apenas 3% das intenções de voto.

Depois de Yushchenko, Biden tem encontro marcado com os outros candidatos potenciais à eleição presidencial ucraniana: a primeira-ministra Julia Timoshenko, o pró-russo Viktor Yanukovich e o ex-presidente do Parlamento, Arseni Yatseniuk.

O vice-presidente americano seguirá depois para a Geórgia, onde o presidente Mikhail Saakashvili também está em uma situação política complicada.

De acordo com o Wall Street Journal de segunda-feira, Saakashvili considera que as esperanças de adesão de seu país à Otan estão "quase mortas" desde a guerra. Tbilisi se apressou em desmentiu estas declarações.

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